De acordo com pt.wedoany.com-O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) avançam no processo de assinatura de um acordo de cooperação técnica em segurança cibernética.

Um decreto publicado no Diário Oficial da União no dia 8 autorizou o Secretário de Segurança da Informação e Cibersegurança do GSI a assinar o acordo de cooperação técnica com a Anatel na área de segurança cibernética. O Decreto GSI/PR nº 163, assinado pelo General Marcos Antonio Amaro dos Santos, Ministro-Chefe do GSI, indica que o acordo envolve cooperação na área de segurança cibernética, sem detalhar ações específicas.
Segundo fontes da Anatel, o acordo ainda não foi aprovado em todas as instâncias, e a intenção é formalizar a interação já existente entre o GSI e a agência, além de ampliar a cooperação. Essas fontes destacam que a minuta ainda pode ser alterada antes da assinatura final, e o processo ainda passará pela Casa Civil da Presidência, podendo retornar com ajustes.
Entre os pontos em discussão estão a produção conjunta de materiais e campanhas de boas práticas em segurança cibernética voltadas para os cidadãos. A cooperação também abrange capacitação, incluindo a realização de exercícios simulados de incidentes cibernéticos com a participação do GSI, da Anatel e de outras partes interessadas, especialmente as operadoras de telecomunicações, com o objetivo de testar a capacidade de resposta a eventos que afetem redes de comunicação e sistemas governamentais.
O compartilhamento de informações é outro pilar. O acordo visa aprimorar o uso da plataforma de detecção de malware MISP, para permitir a troca em tempo real de dados sobre ameaças cibernéticas, relatórios de vulnerabilidades e outras informações entre GSI, Anatel e operadoras. As discussões também envolvem a elaboração de um protocolo integrado de resposta a incidentes de segurança cibernética que afetem infraestruturas críticas de telecomunicações e sistemas governamentais.
A aproximação entre GSI e Anatel ocorre em meio a discussões sobre um novo marco regulatório para a segurança cibernética. O projeto de Lei Geral de Cibersegurança, elaborado pelo Conselho Nacional de Cibersegurança (CNCiber), reacendeu o debate sobre quem deve coordenar a política nacional de segurança cibernética no Brasil. A possibilidade de a Anatel assumir esse papel é vista como um dos pontos sensíveis da proposta, com discussões envolvendo custos, governança, regulação e possíveis conflitos de competência com outros órgãos públicos.
O projeto estende o escopo regulatório para setores críticos, serviços essenciais e cadeias de suprimentos. Na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), o texto abrange comunicações, serviços de satélite e infraestrutura digital, incluindo data centers, serviços em nuvem, provedores de infraestrutura de tráfego da internet, Sistema de Nomes de Domínio (DNS), redes de distribuição de conteúdo, certificação digital, Provedores de Serviços Gerenciados (MSP) e Provedores de Serviços Gerenciados de Segurança (MSSP).
Em 2023, uma proposta discutida pelo GSI já previa a criação da Agência Nacional de Cibersegurança (ANCiber) para centralizar a execução e a regulação da política de segurança cibernética. Na época, estimou-se um custo de 84 milhões de reais no primeiro ano, podendo chegar a 594 milhões de reais com a estrutura completa de 800 pessoas, conforme planejado. A Anatel argumenta que já regula as redes de telecomunicações, fiscaliza as operadoras e possui competências em requisitos de segurança aplicáveis ao setor, o que traria economia de custos e agilidade na implementação da regulação setorial. Com o avanço das discussões sobre infraestrutura digital crítica, a agência é vista por algumas partes interessadas como uma candidata a desempenhar um papel mais amplo na governança nacional de segurança cibernética.
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