De acordo com pt.wedoany.com-Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) propuseram uma solução de impressão 3D de baixo custo para fabricar bicos eletrônicos microscópicos. Essa solução tem potencial para ser aplicada na produção de micropartículas de liberação controlada de medicamentos e materiais "autocurativos".
O núcleo da solução são os emissores de eletropulverização triaxiais (triaxial electrospray emitters). Esses dispositivos utilizam campos elétricos para impulsionar, através de um sistema de microcanais, três líquidos imiscíveis simultaneamente, gerando gotículas com estrutura de três camadas aninhadas.
As gotículas multicamadas podem ser posteriormente convertidas em micropartículas, com cada camada desempenhando uma função específica. Por exemplo, a camada externa pode se dissolver no estômago, a camada intermediária regula a taxa de liberação, e a camada interna entrega o fármaco ativo ao alvo intestinal.
A fabricação tradicional depende de processos de semicondutores em salas limpas, com custos elevados e difícil escalabilidade, limitando a disseminação dessa tecnologia.

A equipe do MIT utilizou tecnologia de impressão 3D para fabricar matrizes de emissores. Esse dispositivo compacto integra 16 bicos em uma área de aproximadamente 1 cm², com uma complexa rede de microcanais tridimensionais internos que garantem a distribuição uniforme dos líquidos.
O processo emprega a tecnologia de fotopolimerização em cuba (vat photopolymerization), que cura resina fotopolimérica camada por camada com luz ultravioleta, substituindo o processo de fabricação tradicional de múltiplas etapas. Toda a matriz complexa pode ser impressa em poucas horas.
A espessura de cada camada do dispositivo é de aproximadamente 25 micrômetros. Os canais espirais internos ajudam a manter o fluxo de líquido uniforme e estável para cada bico, garantindo a geração estável de gotículas.
Nos testes, a matriz impressa em 3D gerou de forma estável gotículas uniformes de três camadas, o que é crucial para a produção em larga escala de partículas de medicamentos, biossensores e materiais para regeneração tecidual. O MIT destacou que tais geometrias são impossíveis de serem alcançadas em processos de sala limpa, e a impressão 3D foi o fator decisivo para o surgimento dessa tecnologia.
Se o método puder ser escalado, tem o potencial de simplificar o processo de produção de micropartículas complexas nas áreas de medicina e ciência dos materiais, além de reduzir os custos de tecnologias atualmente limitadas ao nível laboratorial.
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