Primeira usina de etanol de soja do Brasil tem capacidade de 10 milhões de litros por ano e prevê redução de 8.000 toneladas de CO₂ anuais
2026-06-24 14:21
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De acordo com pt.wedoany.com-A CJ Selecta está avançando no processo de certificação RenovaBio para sua primeira usina de etanol de soja em escala industrial no mundo. A empresa é produtora brasileira de concentrado proteico de soja (SPC), óleo de soja, lecitina, etanol de soja e fertilizantes minerais orgânicos. O projeto, iniciado em 2018, combina inovação tecnológica, eficiência produtiva e redução comprovada de emissões de gases de efeito estufa, visando consolidar a posição pioneira da empresa na transição energética.

Fonte da imagem: Freepik

O desenvolvimento do etanol de soja surgiu da necessidade de agregar valor ao melaço de soja, um subproduto historicamente de baixa rentabilidade e com demanda sazonal. Alessandro Reis, CEO da CJ Selecta, afirma que o projeto foi concebido desde o início com uma visão estratégica de sustentabilidade, visando fechar o ciclo produtivo e reduzir a pegada de carbono de seus produtos, já que o etanol é um insumo essencial na produção do SPC, seu principal produto. O caráter pioneiro do projeto reside no fato de não haver referências anteriores de produção industrial de etanol de soja.

Para superar esse desafio, a empresa estabeleceu uma parceria com um fornecedor estratégico especializado em fermentação alcoólica e realizou extensos estudos em escala laboratorial e piloto. Esses testes ajudaram a identificar cepas de levedura capazes de converter a rafinose e a estaquiose da soja em etanol com rendimento viável. Alessandro enfatiza que foi um longo processo baseado em ciência e validação técnica, que lhes deu confiança para avançar com um modelo de produção inédito no mundo. Após determinar o balanço de massa, a CJ Selecta estima uma capacidade teórica de até 10 milhões de litros de etanol hidratado por ano. Desse total, cerca de 3 milhões de litros são consumidos internamente na produção de SPC, e aproximadamente 7 milhões de litros podem ser comercializados para postos de combustíveis nas regiões de Araguari e Uberlândia. A construção da usina começou em 2020 e, após 10 meses de instalação e 3 meses de espera pela aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entrou em operação em março de 2021.

O desenvolvimento mais recente do projeto está relacionado à Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), que reconhece e recompensa a redução de emissões por meio de créditos de carbono (CBios). Em 2023, a CJ Selecta solicitou formalmente a adesão ao programa. Devido à natureza inovadora da rota tecnológica, a ANP iniciou um processo de validação envolvendo instituições federais como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Alessandro ressalta que este trabalho conjunto é fundamental para garantir que a rota do etanol de soja seja corretamente reconhecida por seu potencial real de descarbonização. A ferramenta RenovaCalc já validou o desempenho ambiental do etanol de soja: suas emissões são 47,05% menores que as da gasolina, ou seja, 46,28 gramas de CO₂ equivalente por megajoule, contra 87,40 gramas de CO₂ equivalente por megajoule da gasolina. Com base nesses dados, a empresa estima uma redução anual de 7.000 a 8.000 toneladas de CO₂ equivalente, o que geraria o mesmo número de CBios. Alessandro afirma que o processo de certificação está em fase final, aguardando a atualização regulatória para inclusão da rota da soja, e a expectativa é que a geração e negociação de CBios comecem a partir de 2026.

De olho no futuro da iniciativa, a empresa realizou estudos de pegada de carbono da soja e, desde 2021, colabora com a Embrapa e a ANP na construção de uma nova rota de biocombustíveis. Alessandro elogia o fato de que a medição da pegada de carbono e a parceria com órgãos autorizados refletem o compromisso da CJ Selecta com o avanço científico e o desenvolvimento de soluções sustentáveis para a matriz energética brasileira. Incluir a nova rota no RenovaBio é um passo importante para reconhecer os benefícios ambientais e fortalecer os biocombustíveis como motor da transição energética. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) apoia o projeto. Daniel Furlan Amaral, diretor de Assuntos Econômicos e Regulatórios da entidade, considera que a iniciativa está alinhada com o contexto de crescimento da indústria, com alta produção e processamento, aumentando significativamente a participação da soja na matriz energética, consolidando a liderança do Brasil no fornecimento de produtos de alto valor agregado e demonstrando um modelo industrial eficiente e alinhado com a sustentabilidade.

A CJ Selecta produz derivados de soja desde 1984 e pertence à divisão CJ Bio do grupo sul-coreano CJ. A sede da empresa fica em Uberlândia, Minas Gerais, o setor industrial está localizado em Araguari, e possui diversas filiais em todo o Brasil. A empresa é uma das principais exportadoras de concentrado proteico de soja, com matérias-primas que incluem soja geneticamente modificada e não geneticamente modificada. A partir de 2019, a empresa passou a produzir fertilizantes especiais e soluções de nutrição vegetal.

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