COFCO, conglomerado chinês, acumula US$ 1,2 bilhão em empréstimos vinculados à redução de emissões de Escopo 3
2026-06-29 14:54
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De acordo com pt.wedoany.com-A COFCO, conglomerado chinês de alimentos, anunciou a obtenção de dois empréstimos vinculados ao desempenho na redução de emissões de Escopo 3, sendo US$ 400 milhões do Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) e US$ 200 milhões do Bank of China (Hong Kong) (BOCHK). As emissões de Escopo 3, ou seja, aquelas geradas pela cadeia de suprimentos, são a principal fonte de emissões do agronegócio. O grupo tem como meta reduzir as emissões de CO₂ relacionadas ao milho em 54,6% e as da soja em 39,4% até 2033, tendo como base o ano de 2021. Essas metas estão alinhadas com a iniciativa Science Based Targets (SBTi), que visa limitar o aquecimento global a 1,5°C.

Estratégia Verde da COFCO

A sustentabilidade tornou-se um indicador financeiro para uma das maiores traders de grãos do mundo. A COFCO precisa comprovar aos bancos que está efetivamente reduzindo sua pegada de carbono para obter os recursos. A empresa acumula atualmente US$ 1,2 bilhão em empréstimos vinculados à redução de emissões de Escopo 3, incluindo o financiamento anunciado esta semana e uma operação semelhante de US$ 600 milhões firmada no final de 2024 com o Oversea-Chinese Banking Corporation (OCBC), de Cingapura. Daniel Cação Motta, gerente de sustentabilidade da COFCO para a América Latina, afirmou que esses empréstimos são uma iniciativa para integrar a sustentabilidade à estratégia de negócios. Auditores independentes verificam se a empresa atinge as metas de desempenho durante o prazo do empréstimo; caso as metas intermediárias sejam alcançadas, a empresa recebe um desconto pré-estabelecido na taxa de juros. Motta destacou que os recursos não são "vinculados a um fim específico", mas sim utilizados para ajudar a empresa a implementar suas metas e políticas.

A COFCO implementou um programa de certificação voluntária voltado aos produtores de grãos: o Padrão COFCO (Cofco Standard). Os fornecedores que aderem ao programa devem produzir soja e milho de acordo com 54 critérios, que abrangem armazenamento de agrotóxicos, regras trabalhistas nas fazendas e a proteção de áreas de preservação permanente e reservas legais. A certificação é dividida em dois módulos: o primeiro verifica, por meio da rastreabilidade das fazendas e análise de imagens de satélite, que a área de produção está livre de desmatamento e conversão de uso da terra; o segundo módulo avalia, por meio de auditoria de terceiros, a conformidade com todos os padrões socioambientais, tendo 2020 como data de corte para mudanças no uso da terra. Motta afirmou que o programa se expandiu significativamente tanto em termos de fontes de fornecimento quanto de destinos de venda, com um número crescente de agricultores participantes. Os agricultores que aderem ao programa também são elegíveis para um desconto de 0,5 ponto percentual na taxa de juros concedido pelo governo federal no âmbito do Plano Safra.

A COFCO também está avaliando o financiamento de projetos por meio de recursos do segundo leilão do Eco Invest Brasil, focado na recuperação de áreas degradadas. Daniel Cação Motta afirmou que a empresa está "avaliando diversas opções dentro do programa". Em 2025, as emissões de CO₂ da COFCO para soja e milho caíram 11% e 23%, respectivamente, em relação a 2021. O volume de grãos e oleaginosas certificados como "sustentáveis" oriundos da América do Sul aumentou 46%. No mesmo ano, 99,2% da soja e do milho adquiridos no Brasil e 99,9% da soja adquirida na Argentina foram verificados como livres de desmatamento e conversão florestal. Como a mudança no uso da terra representa 58% das emissões totais da empresa, a COFCO se comprometeu a reduzir a zero, até o final de 2025, o desmatamento e a conversão florestal na América do Sul decorrentes da produção global de soja e milho. A COFCO afirma que a América do Sul é a região prioritária para implementação, pois a maior parte da soja e do milho é proveniente da região, que também apresenta as maiores taxas de mudança no uso da terra.

Em termos de rastreabilidade de grãos, a rastreabilidade da origem dos fornecedores diretos já foi totalmente implementada. Para fornecedores indiretos, a empresa adota uma abordagem baseada em análise de risco, com foco na auditoria de municípios com maior histórico de desmatamento. Motta afirmou que a empresa ainda não divulgou publicamente metas para fornecedores indiretos. Sobre o nível de demanda chinesa por soja sustentável, Motta disse que o interesse está crescendo de várias formas. Ele citou como exemplo um acordo assinado no ano passado com empresas chinesas, comprometendo-se a fornecer 1,5 milhão de toneladas de soja com certificação sustentável para a Mengniu Dairy e a Shengmu Organic Dairy entre 2025 e 2030. Este ano, a COFCO também enviou 40 mil toneladas de soja sustentável para o Meghna Industrial Group (MGI), de Bangladesh, para produção de ração animal.

Além dos grãos, a COFCO oferece certificação e rastreabilidade para algodão e café. Motta considera que o mercado de certificação para algodão e café é mais maduro do que para soja e milho. Em 2025, 100% do algodão adquirido pela COFCO no Brasil atingiu rastreabilidade em nível de fazenda, e 51% das vendas de algodão brasileiro foram certificadas por programas de sustentabilidade, percentual que subiu para 62,3% nas vendas globais a terceiros. Os programas de controle de produção de algodão adotados pela empresa incluem a Better Cotton Initiative, Cotton Made in Africa, US Cotton Trust Protocol e Regenagri. Globalmente, 43% das vendas de café foram classificadas como "sustentáveis", abrangendo cafés certificados por iniciativas como 4C, Fairtrade, Rainforest Alliance e RAIZ, além do programa de sustentabilidade próprio da empresa, o Crop. No ano passado, mais de 177 mil sacas de café produzido no Brasil tiveram sua conformidade com o Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) verificada. O volume de café adquirido diretamente no Brasil já é submetido a avaliação socioambiental por meio da plataforma Smart ESG da Serasa Experian, em parceria com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Essa ferramenta monitora critérios como desmatamento, com base nos dados do sistema anual de monitoramento do desmatamento Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e também pode detectar a existência de embargos devido a infrações trabalhistas.

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