De acordo com pt.wedoany.com-A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) identificou cerca de 8,8 GW em potenciais projetos de data centers no estado de São Paulo, concentrados principalmente na Região Metropolitana de São Paulo e na região de Campinas, conforme o mais recente mapeamento da instituição. A estatal de planejamento destacou, em seminário, que o principal desafio reside na dificuldade de conciliar o ciclo de implantação desses projetos, de 2 a 4 anos, com o prazo de construção das linhas de transmissão, que varia de 5 a 8 anos.

A EPE revelou que as solicitações de conexão conhecidas até 2038 totalizam cerca de 54 GW de demanda potencial, valor próximo à metade do pico de carga atualmente observado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Esses projetos de carga caracterizam-se por grande porte, concentração regional e curto prazo de implantação, diferenciando-se significativamente do modelo tradicional de fornecimento por redes de distribuição.
Daniel Souza, consultor técnico da Superintendência de Regulação de Transmissão (STE) da EPE, afirmou que o estado de São Paulo é há muito tempo um local privilegiado para grandes data centers devido à infraestrutura de fibra óptica consolidada e à demanda por baixa latência em serviços digitais. Os projetos concentram-se na Região Metropolitana de São Paulo e na região de Campinas, especialmente no nó elétrico de Bom Jardim. Ele enfatizou que o prazo de implantação de 2 a 4 anos é muito mais rápido que o das obras de transmissão, sendo o alinhamento de cronogramas a questão central.
Para aliviar a pressão sobre a transmissão no estado de São Paulo, a EPE propôs diversas soluções: reforçar o corredor de 230 kV entre Cabreúva e Anhanguera, expandir a subestação de Bom Jardim e utilizar equipamentos de controle de fluxo de potência para aliviar rapidamente a carga na rede. Na região central, o corredor de transmissão entre Cabreúva e Anhanguera (passando por Edgar de Souza) já está saturado. As alternativas incluem a instalação de um transformador defasador de 500 MVA na subestação de Anhanguera e a construção de uma linha subterrânea de 5 km, com investimento estimado em 308 milhões de reais.
Na região de Campinas, a subestação de Bom Jardim deverá apresentar sobrecarga em 2027 e 2028. As propostas da EPE incluem a expansão da capacidade dos transformadores 440/88 kV de 900 MVA para 1200 MVA, e dos transformadores 440/138 kV de 150 MVA para 600 MVA. Além disso, está previsto o reforço da subestação de Fernando Dias e a substituição de equipamentos terminais na linha entre Ribeirão Preto e Santa Bárbara d’Oeste.
André Cassino, analista de pesquisa energética da Superintendência de Meio Ambiente (SMA) da EPE, destacou que as limitações de espaço na área urbana de São Paulo impõem desafios ao planejamento da transmissão. Análises de campo já levaram ao abandono de um projeto de linha de 345 kV originalmente prevista para Santo Ângelo, devido à expansão urbana. Para a linha subterrânea Miguel Reali-Centro, a equipe inspecionou 26 pontos em dois dias, considerando interferências como redes de água, esgoto e gás para determinar a rota ideal, contando com o Sistema de Modelagem Espacial da EPE (SIMEP) para reduzir a subjetividade na escolha do traçado e do terreno.
O seminário também relacionou a expansão da transmissão à Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (Pnast), instituída pelo Decreto nº 12.772, de dezembro de 2025. A política define janelas de acesso e critérios de concorrência para pontos de escassez de capacidade. Em áreas com capacidade limitada, o critério de seleção será o maior prêmio em reais por quilowatt, exigindo garantias financeiras de participação e cumprimento. O ONS abriu o registro para a primeira janela de acesso em 1º de junho, com recebimento de inscrições até 15 de junho e análise até 30 de junho. O operador deverá publicar uma nota técnica até 31 de agosto divulgando a capacidade remanescente. O período de concorrência está agendado de 28 de setembro a 8 de outubro.










