De acordo com pt.wedoany.com-A Agência Internacional de Energia (AIE) afirmou na sexta-feira que, devido ao impacto da guerra no Irã, a demanda global de petróleo deverá encolher em 2026, a primeira vez desde a pandemia de Covid-19. O mercado já reagiu às mudanças na situação de segurança do Estreito de Ormuz, um importante ponto de trânsito de petróleo. Sob bloqueio militar, o volume de navegação no estreito em fevereiro caiu para quase zero e, com o conflito persistente, a recuperação é lenta. Em seu relatório mensal, a AIE prevê que a demanda global de petróleo em 2026 será de 103,5 milhões de barris por dia, uma queda de 1% em relação ao ano anterior; no entanto, a demanda em 2027 deverá se recuperar para 105,5 milhões de barris por dia, um aumento de 2% ano a ano. A AIE destacou que os novos confrontos na região do Golfo nesta semana ressaltam o risco de não se alcançar um acordo de paz duradouro, condição necessária para a normalização do mercado petrolífero.
Ainda não está claro como o conflito afetará a tendência de longo prazo da demanda de petróleo, algo crucial à medida que o mundo busca reduzir o uso de combustíveis fósseis para evitar os piores impactos das mudanças climáticas. A guerra elevou os preços da gasolina nos Estados Unidos, mas o relatório afirma que a demanda de petróleo no país aumentará este ano, contrariando a tendência global. A China, segundo maior consumidor de petróleo do mundo, verá uma redução em sua demanda. No entanto, as mudanças globais e nos dois países são muito pequenas, quase imperceptíveis nos gráficos.

Uma questão maior é se a guerra no Irã levará a uma redução de longo prazo na demanda de petróleo em comparação com um cenário sem conflito. Samantha Gross, diretora da Iniciativa de Segurança Energética e Clima do think tank Brookings Institution, acredita que os eventos ocorridos no Irã nos últimos meses terão impacto, podendo acelerar o declínio de longo prazo da demanda de petróleo que chegará em algum momento. Ela afirma que essa interrupção é grande e assustadora o suficiente para provavelmente alterar políticas e comportamentos do consumidor. No "World Energy Outlook" divulgado pela AIE em novembro, sob o cenário de políticas atuais, a demanda continuaria a subir até o final do período de previsão em 2050, enquanto mudanças políticas poderiam antecipar o pico. A próxima edição do relatório refletirá essa mudança de perspectiva.
Kenneth Medlock III, pesquisador do Baker Institute for Public Policy da Rice University, afirma que os impactos de curto prazo da guerra estão se tornando mais claros, com consequências significativas, refletidas no aumento dos custos de combustível para os consumidores e na revisão das decisões de investimento das empresas. Ele chama este ano de "ano do choque" e prevê que a demanda de petróleo se recuperará como após a pandemia de Covid-19, mas a escala da recuperação e se os investimentos não realizados em 2026 foram adiados ou cancelados terão um impacto crucial.






