De acordo com pt.wedoany.com-O governo brasileiro adiou o plano de cancelar o subsídio à gasolina, uma vez que os preços internacionais do petróleo voltaram a subir em meio a tensões geopolíticas, mantendo o incentivo que custa cerca de R$ 1,2 bilhão por mês.

Após o petróleo Brent internacional recuar para cerca de US$ 72 por barril, a equipe econômica avaliou reduzir gradualmente o incentivo, mas a situação recente se inverteu rapidamente. Com novos ataques envolvendo os EUA e o Irã, bem como ameaças relacionadas ao Estreito de Ormuz, o preço do Brent subiu para a faixa de US$ 78 a US$ 80 por barril. O estreito é vital para o transporte global de petróleo, e qualquer risco de interrupção eleva os preços do petróleo, fretes e custos de seguro.
O valor do subsídio que o governo planejava cancelar era de R$ 0,44 por litro de gasolina tipo A, o combustível puro vendido às distribuidoras antes da mistura com etanol. Em comparação com os R$ 2,61 por litro cobrados pela Petrobras, o subsídio equivale a quase 17% do preço da refinaria. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o mercado agora está sob monitoramento diário, e o governo pode cancelar, reduzir ou manter o subsídio conforme a evolução da crise e os preços internacionais.
O subsídio foi implementado em maio de 2026, direcionado a produtores e importadores, que precisam comprovar que o valor foi deduzido do preço de venda do combustível para receber o pagamento. No reajuste anunciado pela Petrobras no final de maio, calculou-se que o aumento bruto da gasolina tipo A foi de aproximadamente R$ 0,48 por litro; após aplicar o subsídio de R$ 0,44, o reajuste líquido na refinaria foi limitado a R$ 0,04 por litro. Vale ressaltar que a gasolina vendida nos postos contém etanol anidro, e o preço final inclui ICMS, transporte, armazenagem e margens de distribuidores e varejistas, portanto, o consumidor não recebe automaticamente um desconto de R$ 0,44 por litro.
Ao manter o subsídio à gasolina, o governo decidiu prorrogar por mais 60 dias, a partir de 10 de julho de 2026, o imposto de exportação de 12% sobre o petróleo bruto. Esse tributo ajuda a cobrir parte do custo do subsídio e reduz a vantagem de direcionar a produção para o mercado externo em períodos de instabilidade. Quando o preço de exportação do barril de petróleo bruto é de US$ 80, a alíquota equivale a um imposto de US$ 9,60. Empresas como Shell, TotalEnergies, PRIO e Repsol manifestaram oposição ao imposto, argumentando que ele reduz a rentabilidade dos projetos e aumenta a insegurança jurídica. A Petrobras, que também exporta petróleo bruto e é afetada pelo imposto, manifestou apoio.

O custo estimado do subsídio à gasolina é de R$ 1,2 bilhão por mês, com um total previsto de R$ 2,4 bilhões nos primeiros dois meses. O governo tenta controlar os preços sem ampliar o déficit fiscal, equilibrando as despesas por meio da tributação das exportações de petróleo bruto. Essa decisão mostra que conflitos geopolíticos externos podem impactar rapidamente os preços das refinarias brasileiras, a arrecadação federal e o orçamento dos consumidores finais.






