Enquanto os Estados Unidos enfrentam a redução contínua de áreas agrícolas devido ao desenvolvimento urbano e projetos de energia renovável, o Brasil está expandindo sua fronteira agrícola ao converter pastagens em terras cultiváveis. Segundo Joanna Colussi, economista agrícola da Universidade de Illinois, a área plantada com soja no Brasil saltou de 82 milhões para 117 milhões de acres entre as safras de 2015-16 e 2024-25. O país ainda possui potencial para incorporar mais 70 milhões de acres à produção agrícola, incluindo 12,65 milhões de acres de pastagens degradadas.
Colussi explica que transformar pastagens em lavouras é mais rentável do que restaurá-las para a pecuária. Muitos proprietários optam por arrendar ou vender suas terras a produtores agrícolas. Marina Cavalcante, analista da Bloomberg Industry Research, destaca que a produtividade da soja no Brasil está em ascensão: “O aumento consistente nos rendimentos evidencia o potencial de ganho por meio da tecnologia.” A produção de grãos deve crescer entre 8% e 11% nos próximos dois anos, superando a expansão de 8% na área plantada.
Entretanto, o Brasil enfrenta diversos desafios. Cerca de 70% da soja brasileira é exportada para a China, gerando uma dependência de um único mercado. Problemas logísticos persistem, com 65% dos grãos transportados por rodovias até os portos. Diferentemente dos EUA, o Brasil possui capacidade de armazenagem limitada e carece de seguros agrícolas subsidiados, aumentando os riscos para os produtores. “Os riscos de produção no Brasil são maiores do que nos Estados Unidos”, observou Colussi.
Jose Rossato Jr., diretor da Coplana, informou que aproximadamente 23% do território brasileiro — cerca de 500 milhões de acres, o equivalente a dez estados de Nebraska — são compostos por campos e pastagens. Metade dessa área poderia ser convertida em lavouras, mas fatores como solos pobres e a força do setor de carne bovina farão com que grande parte continue sendo usada para a pecuária.
Apesar dos desafios, o Brasil segue como líder global na oferta de soja. “Se o mundo precisar de mais soja no futuro, o Brasil estará pronto para fornecer, pois possui terra e conhecimento técnico,” concluiu Colussi. Para lidar com o impacto brasileiro, produtores de outras regiões devem monitorar o calendário agrícola do Brasil, acompanhar a relação comercial entre China e EUA, e utilizar instrumentos como contratos futuros e opções para se proteger da volatilidade causada por safras recordes no Brasil.









