BIMCO: Incertezas no Estreito de Ormuz e El Niño impactarão o transporte marítimo de granéis sólidos
2026-07-30 09:37
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De acordo com pt.wedoany.com-A Baltic and International Maritime Council (BIMCO) divulgou recentemente suas previsões para o mercado de transporte marítimo de granéis sólidos, destacando as incertezas em torno do Estreito de Ormuz como um fator-chave para as perspectivas. Filipe Gouveia, gerente de análise de navegação da BIMCO, afirmou que, em condições normais de mercado, cerca de 4% da carga de granéis sólidos e da demanda por tonelada-milha passam pelo estreito. No entanto, um cessar-fogo de três semanas entre os EUA e o Irã resultou apenas em uma recuperação parcial do trânsito, com a deterioração das condições de segurança desde então.

Com base nessa incerteza, a BIMCO apresentou dois cenários de previsão: o cenário "Fechamento do Estreito de Ormuz" pressupõe um fechamento efetivo e indefinido do estreito, enquanto o cenário "Abertura do Estreito de Ormuz" assume sua reabertura até o final do terceiro trimestre de 2026. Quanto mais tempo durar o fechamento, mais as perspectivas de mercado se aproximarão do cenário de fechamento. Nenhum dos dois cenários considera o retorno total do transporte de granéis sólidos ao Mar Vermelho, embora um retorno completo pudesse reduzir a demanda por tonelada-milha em cerca de 2%. Os Houthis declararam um bloqueio aos portos do Mar Vermelho da Arábia Saudita, aumentando a incerteza sobre quando a navegação comercial poderá retornar totalmente ao Mar Vermelho.

Gouveia afirmou que o equilíbrio entre oferta e demanda de granéis sólidos em 2026 ainda será favorável, mas espera-se que enfraqueça em 2027, embora partindo de um patamar mais elevado. Se o Estreito de Ormuz for reaberto até o final do terceiro trimestre, as perspectivas de mercado para esses dois anos serão relativamente mais fortes. Em 2026, independentemente do cenário de previsão, a oferta deve crescer de 1,5% a 2,5%, abaixo do crescimento da frota de granéis sólidos, devido ao aumento do congestionamento e ao fato de que cerca de 0,5% da frota permanece subutilizada por estar retida no Golfo Pérsico. Em ambos os cenários, espera-se que o crescimento da demanda supere o da oferta, impulsionado pelo aumento do transporte de grãos e carvão e pelo prolongamento das rotas. No cenário de fechamento do Estreito de Ormuz, a demanda deve crescer de 2,5% a 3,5%; no cenário de abertura, o crescimento deve ser 1 ponto percentual maior.

Em 2027, se o Estreito de Ormuz permanecer efetivamente fechado, a oferta deve crescer de 3,5% a 4,5%; se for reaberto, a taxa de crescimento será 0,5 ponto percentual mais rápida, devido ao retorno da frota retida no Golfo Pérsico ao mercado global. Em ambos os cenários, espera-se que o crescimento da demanda em 2027 desacelere e fique abaixo do crescimento da oferta. Se o estreito permanecer efetivamente fechado, a demanda deve crescer de 0,5% a 1,5%; se for reaberto, o crescimento deve ser 1,5 ponto percentual maior.

Gouveia também destacou que a chegada do fenômeno El Niño deve impulsionar a demanda por navios de granéis sólidos nos próximos 12 meses. O Canal do Panamá pode enfrentar restrições cada vez mais rigorosas à passagem de navios, levando os graneleiros a buscar rotas alternativas, prolongando as distâncias de navegação. Esse fenômeno climático também enfraquece as monções na Índia, o que pode limitar a geração de energia hidrelétrica, sustentando assim a demanda por importação de carvão.

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