A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) do Brasil assinou um memorando de entendimento com a Invap da Argentina, delineando a estrutura para as negociações do contrato de Engenharia, Suprimentos e Construção (EPC) para o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB). A assinatura ocorreu durante a 69ª Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena.
O documento estabelece as bases para o desenvolvimento do complexo tecnológico que abrigará o RMB, incluindo seus laboratórios, infraestrutura operacional e instalações de apoio logístico. A CNEN identificou o projeto como prioritário para o setor nuclear nacional. O plano é iniciar a construção em 2026, com conclusão prevista para 2030 e operação prevista para 2031.

O projeto está em preparação desde 2008 e, no início deste ano, foi realizada uma cerimônia para marcar o início das obras iniciais de infraestrutura. Após a conclusão, o reator atenderá a múltiplos propósitos, principalmente na área da saúde, garantindo a autossuficiência do Brasil na produção de radioisótopos críticos, como o molibdênio-99, utilizado em diagnósticos e tratamentos médicos. O RMB também apoiará avanços nos testes e desenvolvimento de combustíveis e materiais nucleares, promoverá a pesquisa científica e a inovação por meio da aplicação de feixes de nêutrons e trará benefícios à indústria e à agricultura.
O RMB compartilha semelhanças com o reator multipropósito RA-10 da Argentina, um reator de pesquisa em piscina aberta de 30 MWt, atualmente em construção e com previsão de entrada em operação em breve. Em 2013, a Invap assinou um acordo para a construção de dois reatores, um na Argentina e outro no Brasil, com base no projeto do reator de água leve australiano em piscina aberta (Opal), que a Invap forneceu anteriormente à Organização Australiana de Ciência e Tecnologia Nuclear. Na época, projetava-se que as duas novas instalações poderiam, juntas, fornecer até 40% da capacidade global de fornecimento de isótopos.
A instalação proposta em RMB ocupará um terreno de dois milhões de metros quadrados, que também poderá incluir laboratórios dedicados à pesquisa em fusão nuclear, aceleradores de partículas e desenvolvimento e produção de radiofármacos. O projeto está estimado em cerca de US$ 500 milhões, com um cronograma de construção previsto para cinco anos.
De acordo com a CNEN, o reator não apenas aprimorará a infraestrutura de saúde, mas também fortalecerá a posição do Brasil em pesquisa científica e tecnológica, com benefícios mais amplos em diversos setores. A colaboração com a Invap reflete a continuidade da cooperação de longa data entre os dois países em ciência e tecnologia nuclear.
O projeto em RMB reforça o compromisso do Brasil com a construção de infraestrutura nuclear avançada que atenda às necessidades médicas, promova a inovação e apoie aplicações industriais e agrícolas. Ao expandir a capacidade de produção nacional, espera-se que o reator contribua tanto para o desenvolvimento nacional quanto para a colaboração científica internacional.









