O primeiro pagamento do Fundo para Florestas Tropicais (TFFF), lançado pelo Brasil na cúpula climática COP30, deve ser adiado pelo menos até 2028. O fundo visa financiar países com baixas taxas de desmatamento por meio de investimentos públicos e privados, mas a captação da meta de US$ 125 bilhões levará tempo.
Andrew Deutz, Diretor Geral de Política Global do WWF, observou: "O fundo pode precisar de dois a três anos para levantar capital por meio de títulos e gerar retornos, então provavelmente não veremos pagamentos antes de 2028 ou 2029." Andreas Bjelland Eriksen, Ministro do Clima da Noruega, acrescentou: "O TFFF precisa de escala, o que levará algum tempo, mas esta é uma oportunidade histórica de fornecer financiamento geracional para a proteção das florestas tropicais."
O atraso nos pagamentos permite que as comunidades desenvolvam capacidade para lidar com os fluxos de recursos. Deutz enfatizou: "Será necessário construir capacidade com organizações de povos indígenas e comunidades locais nos próximos anos para gerenciar fluxos de recursos nesse nível." Na COP26 de 2021, mais de 140 países se comprometeram a acabar com o desmatamento até 2030, mas a taxa atual ainda está 63% acima da meta, em parte devido a uma lacuna de financiamento de US$ 570 bilhões.
A meta de curto prazo do TFFF é levantar US$ 10 bilhões em investimentos públicos até 2026 para iniciar a expansão. O fundo já arrecadou US$ 6,7 bilhões, mas o compromisso de US$ 3 bilhões da Noruega exige que outros doadores contribuam com cerca de US$ 10 bilhões. Charlotte Hamill, sócia do fundo de hedge Bracebridge Capital, afirmou que o financiamento público pode reduzir o risco para investimentos privados, apoiando os pagamentos pela proteção das florestas.
João Paulo Drezende, responsável pelo TFFF no Ministério da Fazenda do Brasil, declarou que a captação de recursos continuará este ano, incluindo diálogos com autoridades do Japão, Coreia do Sul e China. Felix Finkbeiner, fundador da organização sem fins lucrativos Plant-for-the-Planet, disse que as discussões com o governo chinês se tornaram mais sérias e que o investimento poderia ser semelhante aos níveis da França ou Alemanha. Deutz explicou que o TFFF não depende de doações, pois os empréstimos governamentais vêm de diferentes fontes de fundos, expressando otimismo sobre o alcance da meta.
À medida que mais países aderem, o Brasil está mudando para um modelo de liderança compartilhada. Drezende afirmou: "Este projeto não pertence mais apenas ao Brasil." Deutz observou que o Brasil pediu que países europeus assumam a copresidência, tornando o fundo uma iniciativa conjunta. Um comitê diretivo orientará o Banco Mundial na estruturação, o departamento de investimento TFIF está sendo estabelecido e espera-se que o fundo seja registrado e constituído em uma jurisdição europeia.









