Brazil Iron planeja produzir "ferro verde" com gás natural na Bahia
2026-05-21 18:24
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De acordo com pt.wedoany.com-A Brazil Iron planeja transformar uma jazida de minério de ferro no centro-sul da Bahia em uma plataforma de produção de ferro descarbonizado voltada para o mercado internacional, utilizando gás natural como rota de transição para redução de emissões. O projeto tem previsão de início de operação em 2030 ou 2031, com investimento total de aproximadamente US$ 5,7 bilhões, e terá como principal produto a briquete de ferro a quente (HBI, na sigla em inglês), uma matéria-prima intermediária entre o minério de ferro e o aço.

Segundo Emerson Souza, vice-presidente de Relações Institucionais da Brazil Iron, com sede em Londres, a mineração representa apenas uma pequena parte do investimento do projeto, cerca de 10% a 20%, sendo o restante destinado à construção de instalações de produção siderúrgica e logística. A empresa já certificou 1,7 bilhão de toneladas de reservas de minério de ferro de alta pureza nos municípios baianos de Piatã, Abaíra e Jussiape, com potencial de expansão. Souza afirma que o minério possui vantagens como baixo teor de contaminantes e alta plasticidade, sendo considerado crucial para a produção de HBI.

A primeira fase do projeto prevê o uso de gás natural, o que pode reduzir as emissões em mais de 70% em comparação com a rota tradicional de fundição baseada em carvão. As emissões remanescentes serão compensadas por meio de Captura e Armazenamento de Carbono (CCS, na sigla em inglês) ou compra de créditos de carbono. A empresa também acompanha as perspectivas de aplicação de biometano e hidrogênio verde, mas este último é visto como uma opção de longo prazo, dependendo da evolução tecnológica e de mercado. "Se o hidrogênio decolar economicamente, construiremos uma planta de produção de hidrogênio verde na mesma região", afirmou Souza.

O foco do mercado do produto está na Europa e na Ásia, regiões onde a pressão regulatória pela descarbonização do aço continua a aumentar. De acordo com Souza, o preço de mercado atual do HBI verde é de cerca de US$ 350 por tonelada. Um estudo da consultoria McKinsey & Company mostra que, a partir de 2030, poderá haver um déficit global anual de 109 milhões de toneladas de ferro verde. A Brazil Iron já firmou pré-contratos de dez anos equivalentes a 100% do volume de produção inicial planejado (5 milhões de toneladas de HBI por ano), envolvendo um comprador europeu e um comprador asiático.

O avanço do projeto depende da infraestrutura ferroviária e portuária do sul da Bahia. A opção prioritária é utilizar o trecho da FIOL (Ferrovia de Integração Oeste-Leste) que se conecta ao Porto Sul, em Ilhéus. Atualmente, ambas as linhas ainda estão em fase de planejamento, sob concessão da Bahia Mineração (Bamin). A empresa já obteve licença para construir um ramal ferroviário ligando a fábrica à FIOL. Se, dentro de um ano, a avaliação considerar o plano viável, ele será levado adiante; caso contrário, serão consideradas instalações alternativas, como a FCA (Ferrovia Centro-Atlântica) e o Porto de Aratu. Souza destacou que esse corredor logístico atenderá não apenas à mineração, mas também beneficiará o agronegócio do oeste baiano e o transporte de minerais críticos como lítio, níquel, nióbio e terras raras.

A Brazil Iron está atenta às discussões em Brasília sobre a política nacional de minerais críticos e estratégicos. Souza acredita que o minério de ferro de alta pureza deveria ser incluído nessa categoria e defende um tratamento diferenciado em relação ao minério de ferro tradicional. A empresa espera obter apoio político na aceleração de processos regulatórios, facilitação de financiamento e abertura do mercado de gás natural, para reduzir os custos de produção.

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