Conferência setorial no Brasil foca em Unified Namespace para impulsionar a integração de dados na fábrica
2026-05-25 17:24
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De acordo com pt.wedoany.com-Impulsionada pela demanda por maior conectividade, interoperabilidade e tomada de decisão baseada em dados no chão de fábrica, a indústria discute com mais maturidade novas arquiteturas para integração industrial em tempo real. O Unified Namespace (UNS) tornou-se uma das abordagens mais debatidas entre especialistas em transformação digital industrial.

Às vésperas da abertura da Copa do Mundo de 2026, o Museu do Futebol, em São Paulo, sediou a terceira edição do Encontro de Tecnologia e Cultura (ETC), que trouxe como tema estratégico o Unified Namespace (UNS) como base para a integração de dados no chão de fábrica. Organizado pela Aquarius Software e Westcon, com apoio da VDI-Brasil e produção executiva da MVBR Consulting, o evento ocorreu no dia 12 deste mês. Especialistas de empresas como Petrobras, CBMM, Gerdau, NTS, VLI e Transpetro discutiram o estado atual da aplicação do UNS na indústria brasileira, avaliando se a tecnologia já se traduziu de promessa técnica em vantagem competitiva real.

Com mediação de Erik Maran, diretor da Westcon, o debate sobre UNS utilizou analogias do universo esportivo para ilustrar a eficiência na fábrica. Maran destacou que a implementação bem-sucedida de novas arquiteturas tecnológicas exige princípios aplicáveis ao esporte, como planejamento tático, coordenação entre setores e engajamento contínuo das equipes.

Paulo Vitor Magacho, engenheiro de automação da Petrobras, resgatou o histórico do UNS — conceito criado pelo integrador americano Walker Reynold em 2005 e que ganhou tração global a partir de 2015, com o auxílio de ferramentas em larga escala. Magacho apontou que o UNS está transformando a forma como a indústria trata e utiliza dados, simplificando e conectando processos para atender à necessidade de operação sinérgica entre máquinas e software. Ele elogiou o ETC como o primeiro fórum brasileiro a introduzir esse entendimento de forma estruturada e destacou a inércia do setor manufatureiro em validar novos padrões de engenharia, razão pela qual atividades de disseminação cultural são necessárias para acelerar a inovação na indústria brasileira.

Ricardo Caruso, diretor técnico da Aquarius Software, detalhou a teoria do UNS como um barramento único capaz de comunicar sistemas em tempo real e enfatizou sua flexibilidade, afirmando que a arquitetura se aplica tanto a grandes corporações quanto a pequenas plantas fabris, podendo inclusive ser implementada com tecnologias open source. Já Kelvin Kamimura, gerente de produtos da Westcon, apontou a necessidade de governança rigorosa e proteção contra ameaças digitais para garantir a harmonia do sistema. Ele alertou para a necessidade de integridade da base de dados única, recomendando que, desde o início do projeto, se estabeleça um "contrato de dados" estruturado e gerenciado pela equipe responsável, a fim de eliminar o risco de times utilizarem formatos conflitantes. Kamimura também abordou o desafio da cibersegurança, explicando que ter uma única fonte de verdade protege o perímetro de segurança, mas exige a manutenção de firewalls robustos, segmentação física da rede e total conformidade com as normas de TI e TO.

Edmur Rios, gerente de tecnologia industrial da CBMM, descreveu o modelo UNS como a peça central de um quebra-cabeça, atuando como a espinha dorsal que extrai dados do chão de fábrica e os compartilha entre diferentes arquiteturas. Ele revelou os planos da CBMM: "Em 2025, realizamos uma prova de conceito para identificar as vantagens que esse novo modelo traz, e agora é o momento de iniciar a implementação, com um ciclo previsto de conclusão de 5 a 7 anos."

O UNS está se consolidando como a pedra angular da maturidade na Indústria 4.0. Ao substituir a estrutura rígida da pirâmide de automação tradicional por um ecossistema de integração horizontal, as empresas pavimentam o caminho para decisões assertivas. Agora, cabe a líderes e especialistas interpretar as regras do novo jogo de dados, aprofundar os estudos e traduzir esses conceitos em vantagem competitiva real dentro das fábricas.

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