IDH amplia rastreabilidade bovina no Brasil para mais de 250 mil animais
2026-05-25 17:24
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De acordo com pt.wedoany.com-Apenas 2% a 4% do rebanho bovino brasileiro possui rastreabilidade individual, uma realidade que já representa um desafio para o cumprimento das novas regulamentações da União Europeia (EUDR) e ameaça as exportações de carne do país para o continente europeu. A Fundação IDH (IDH) está trabalhando para preencher essa lacuna, com foco na ampliação da cobertura de rastreabilidade para pequenos e médios pecuaristas.

O Brasil possui cerca de 238 milhões de cabeças de gado, mas a taxa de rastreabilidade individual é extremamente baixa. O principal gargalo reside no fato de que apenas uma pequena parcela do rebanho possui identificação para rastreamento. No Mato Grosso, principal estado produtor de gado, a cobertura de rastreabilidade individual é estimada em 17%, mas concentra-se principalmente nos animais de abate autorizados a exportar para a Europa. No Pará, o prazo para a implementação obrigatória do sistema de identificação individual foi adiado de 2026 para 2030, e a taxa de registro inicial representa apenas 0,2% dos 25 milhões de animais já identificados.

Diante da exigência iminente da União Europeia de não adquirir produtos agropecuários de áreas desmatadas, a Fundação IDH atua como articuladora, dedicando-se a resolver os gargalos na cadeia produtiva. Sua estratégia é implementada em fases, oferecendo um pacote de soluções para pequenos e médios pecuaristas, que inclui regularização ambiental, assistência técnica produtiva, recertificação de habilitação comercial, acesso a crédito e rastreabilidade.

A diretora da IDH Brasil, Manuela Santos, aponta que o arcabouço legal é uma condição necessária, mas as medidas obrigatórias, por si só, não garantem a integridade e a viabilidade da cadeia produtiva. Ela avalia que é preciso resolver desafios práticos como infraestrutura, regularização ambiental e acesso a mercados. O adiamento no Pará reflete, de forma pragmática, a realidade atual em que as políticas públicas são obstruídas pela falta de infraestrutura de campo e de informações.

O foco de atuação da IDH concentra-se nos fornecedores indiretos, ou seja, os pequenos pecuaristas que vendem bezerros para confinamentos e recriadores. Atualmente, o programa já abrange mais de 250 mil animais com rastreabilidade socioambiental individual. A IDH identificou que uma das principais dificuldades para expandir a rastreabilidade é a falta de incentivos diretos aos pecuaristas. Para reverter esse cenário, a fundação está negociando com empresas como Mars Petcare, MBRF e Carrefour, a fim de criar as condições de mercado correspondentes.

Desde 2019, a atuação da IDH na cadeia produtiva da pecuária brasileira já resultou na conservação de 290 mil hectares de florestas e na adoção de práticas de manejo regenerativo sustentável em 230 mil hectares. Por meio do Programa de Produção Sustentável de Bezerros, mais de 250 mil animais foram rastreados, e centenas de propriedades rurais concluíram o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a regularização fundiária através dos centros de atendimento ao pecuarista. Além disso, mais de 1.000 pequenos criadores de bezerros no Mato Grosso e no Pará receberam assistência técnica diretamente da IDH.

A Fundação IDH, com sede na Holanda, é uma organização global dedicada a promover cadeias produtivas inclusivas, combater as mudanças climáticas e fomentar a segurança alimentar. No Brasil, a organização atua de forma colaborativa para promover a sustentabilidade, a melhoria de renda e a igualdade de gênero nas cadeias produtivas da pecuária e do algodão.

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