Receita com armazenamento de energia para o agronegócio representa quase 30% da Baterias Moura em 2026
2026-05-27 17:03
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De acordo com pt.wedoany.com-A Baterias Moura está apostando no agronegócio como principal vetor de crescimento para sua área de armazenamento de energia, segmento que já responde por cerca de um terço da receita comercial da unidade de negócios em 2026. A empresa com sede em Pernambuco, faturamento anual superior a R$ 1 bilhão e reconhecimento nacional nos segmentos automotivo e industrial, está indo além da venda tradicional de baterias para se aprofundar no agronegócio.

Moura aposta no agro: foco em armazenamento de energia e irrigação

A Moura atua no agro com três frentes de negócio: baterias pesadas para tratores, colheitadeiras e veículos agrícolas; baterias estacionárias para sistemas fotovoltaicos e estruturas fixas; e sistemas de armazenamento de energia baseados em BESS (Battery Energy Storage Systems), utilizados para reduzir custos, garantir estabilidade elétrica e viabilizar a expansão das operações em áreas com restrições de rede. Segundo explicou à AgFeed Adalberto Campelo, gerente de armazenamento de energia da Moura, o agro enfrenta atualmente três grandes dores: o custo da energia, a qualidade e confiabilidade do fornecimento, e a total falta de acesso à eletricidade em muitas regiões. A pressão energética aumenta à medida que avançam a irrigação, a refrigeração em parte do processamento agrícola, a automação em larga escala e a conectividade.

A maior demanda do setor agrícola para a Moura está na expansão da irrigação. O Brasil tinha cerca de 10 milhões de hectares irrigados em 2025, contra 9,5 milhões no ano anterior, sendo aproximadamente 3 milhões com pivôs centrais, 3 milhões em canaviais e cerca de 2 milhões com gotejamento e métodos tradicionais. A expectativa do setor é que a área irrigada no país atinja cerca de 12 milhões de hectares nos próximos três anos. Campelo aponta que muitos produtores não conseguem aumentar o consumo de energia devido a limitações na rede de distribuição, problema agravado pela expansão agrícola para regiões distantes dos grandes centros de consumo, como no Matopiba, onde os usuários na ponta da rede são mais vulneráveis a oscilações de tensão e apagões.

Os sistemas de armazenamento surgem como alternativa para reduzir a dependência da rede ou complementar sistemas solares, com a lógica de armazenar energia quando a tarifa é mais baixa e utilizá-la nos horários de pico. Campelo exemplifica que apenas três horas de pico podem representar quase metade da conta de luz. Embora muitos produtores já tenham investido em energia solar fotovoltaica, sua intermitência torna o armazenamento uma solução complementar. Além da irrigação, cresce a demanda de operações de processamento agrícola que dependem de refrigeração, armazenamento e controle de temperatura contínuos, como na cadeia de proteína animal, onde uma única interrupção de energia pode comprometer o sistema de climatização e causar perda de produção.

Outro negócio emergente envolve operações totalmente off-grid ou parcialmente desacopladas da rede elétrica tradicional. No passado, os produtores recorriam a geradores a combustíveis fósseis para expandir a produção, mas a solução de armazenamento da Moura pode reduzir o consumo de diesel e aumentar a previsibilidade operacional. A empresa também aposta no modelo de "energia como serviço", no qual o produtor não precisa adquirir os equipamentos diretamente; a Moura investe na infraestrutura energética e o cliente paga por meio de um contrato de longo prazo, em torno de dez anos. Este modelo vem ganhando tração no agro, especialmente na irrigação, pois libera capital para o produtor investir em sua atividade principal.

Os projetos da Moura no agro concentram-se em operações "behind-the-meter", ou seja, sistemas instalados diretamente no ponto de consumo do cliente, abrangendo fazendas, processamento agrícola, armazenagem e irrigação. A empresa acredita que tecnologias de armazenamento como o BESS chegaram ao Brasil há poucos anos e que os primeiros casos de sucesso gerarão um forte efeito multiplicador no setor agrícola. Foi essa percepção que motivou a empresa a participar com estande próprio da Agrishow 2026. Campelo afirma que o interesse de médios e pequenos produtores começa a crescer e deverá impulsionar, em breve, o lançamento de soluções customizadas e de menor custo.

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