De acordo com pt.wedoany.com-A Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA) indicou, no Relatório Económico de África de 2026, que a nanotecnologia está a trazer oportunidades significativas de transformação económica para o continente, com o mercado global de nanotecnologia projetado para atingir 220,8 mil milhões de dólares até 2031. O relatório, intitulado "Crescimento através da Inovação: Utilizar Dados e Tecnologias de Ponta para Impulsionar a Transformação Económica de África", sublinha a necessidade de África passar de espectadora a participante na nanotecnologia.

O mercado global de nanotecnologia deverá atingir 118,7 mil milhões de dólares em 2026 e crescer para 220,8 mil milhões de dólares até 2031, a uma taxa de crescimento anual de 13,2%. Na região de África e Médio Oriente, o mercado de nanomedicina foi avaliado em 16,2 mil milhões de dólares em 2024, prevendo-se que ultrapasse os 48,2 mil milhões de dólares até 2033, impulsionado por um crescimento anual médio de 12,9%. A UNECA considera que estes números refletem a crescente procura real em setores estratégicos como armazenamento de energia, semicondutores, dispositivos médicos e produtos farmacêuticos.

No continente africano, três países destacam-se nos esforços de investigação em nanociência e infraestruturas. O Egito é o principal centro de nanotecnologia no Norte de África, com o seu Centro Nacional de Nanotecnologia, fundado em 2008, que possui mais de 20 laboratórios especializados nas áreas da saúde, biossensores e materiais avançados. A África do Sul alberga o Centro Nacional de Nanoestruturas de Materiais, criado em 2007 sob o Conselho de Investigação Científica e Industrial (CSIR), dedicado à investigação avançada em nanomateriais e que disponibiliza equipamentos de ponta a universidades e parceiros industriais. Na Nigéria, as equipas de investigação da Universidade da Nigéria e da Universidade de Lagos têm vindo a desenvolver-se gradualmente, com o número de artigos sobre nanotecnologia a aumentar de alguns em 2010 para dezenas por ano em 2020, com foco em nanomateriais com propriedades antimicrobianas.
Apesar dos progressos, a UNECA aponta vários constrangimentos estruturais persistentes, incluindo a falta de políticas nacionais claras, a insuficiência de centros de investigação e laboratórios especializados, o acesso limitado a equipamentos de ponta e as dificuldades financeiras enfrentadas pelos investigadores. O relatório sublinha que a nanotecnologia não é uma inovação exclusiva das economias desenvolvidas e pode oferecer soluções concretas para África, como melhorar a eficácia de medicamentos anti-infeciosos, conceber baterias mais eficientes para apoiar o desenvolvimento de energias renováveis e aproveitar processos industriais avançados para explorar melhor os recursos naturais. O documento apela a investimentos estratégicos para que África se integre melhor nesta tecnologia emergente e impulsione a transformação económica.
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