De acordo com pt.wedoany.com-O Ministério de Minas e Energia (MME) do Brasil prevê assinar, a partir deste mês, os primeiros acordos de coordenação regulatória do mercado de gás natural com os estados. A pasta já iniciou a circulação da minuta do acordo de cooperação técnica a ser firmado com as agências reguladoras e secretarias estaduais competentes. Conforme apurou a agência eixos, um dos primeiros signatários deverá ser o estado de Sergipe.

O acordo, formalmente denominado Pacto Nacional para o Desenvolvimento do Mercado de Gás Natural, é de adesão voluntária e visa criar um espaço de diálogo permanente para compartilhamento de experiências e construção de soluções conjuntas. O documento prevê a elaboração de um plano de trabalho executivo, com definição de temas prioritários pelos signatários, e o estabelecimento de indicadores de acompanhamento para coordenação e aperfeiçoamento normativo. A estrutura do acordo contempla dois grupos de trabalho permanentes: a Reunião de Gestão do Pacto (RGP), realizada a cada dois meses com representantes da alta direção de todos os signatários, responsável por aprovar o plano de trabalho executivo, acompanhar as ações acordadas e publicar relatórios semestrais; e a Reunião Técnica Temporária (RTT), convocada para tratar de temas específicos, com a participação de representantes técnicos indicados pelos signatários. Caberá ao MME propor a primeira minuta do plano de trabalho, que será analisada e ajustada na primeira reunião, após interação entre os signatários. A pasta destaca que o pacto pressupõe uma "coordenação horizontal e cooperativa", sem transferir competências entre as instituições signatárias, impor obrigações unilaterais ou retirar a autonomia regulatória de qualquer parte. A gestão do acordo será de responsabilidade do diretor do Departamento de Gás Natural do MME, atualmente ocupado por Marcello Weydt. Os serviços serão prestados em regime de mútua cooperação, sem remuneração para os participantes, e as despesas correrão por conta de dotações orçamentárias específicas das instituições envolvidas.
Na nota técnica que fundamenta a minuta do acordo, o MME aponta que os temas de maior divergência na consulta pública de 2025 incluem a divisão de competências entre os entes federativos, como a regulação do mercado livre (ex.: condições de migração) e a questão da interface entre gasodutos de transporte e gasodutos de serviço local. A disputa federativa entre o estado de São Paulo e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o gasoduto Subida da Serra é um caso emblemático de conflito de competências. A ANP já manifestou intenção de questionar no STF pelo menos cinco leis estaduais. A cobrança de taxas regulatórias sobre comercializadores pelos estados é outro tema que pode gerar litígios, com a Eneva já tendo ingressado com uma ação em São Paulo. O acordo também prevê que o MME coordenará atividades com a ANP e os estados para harmonizar e aperfeiçoar normas, incluindo aspectos relacionados à regulação do consumidor livre.
O MME enfatiza que, diante da dificuldade de consenso sobre soluções normativas ou regulatórias específicas na consulta pública de 2025, optou por estruturar o pacto como um acordo de cooperação técnica voluntário, para "tratar conjuntamente" as divergências identificadas e "construir gradualmente" o entendimento e avançar na coordenação e aperfeiçoamento normativo necessários. As obrigações dos participantes incluem: promover os ajustes necessários ao identificar normas inconsistentes; reconhecer possíveis divergências na interpretação ou aplicação de normas e buscar soluções amigáveis; assegurar a clara separação entre atividades competitivas de venda de gás e serviços logísticos de rede; divergências não resolvidas diretamente por acordo entre as partes serão submetidas à Câmara de Conciliação e Mediação da Administração Pública Federal. O pacto é um conceito introduzido pelo Decreto nº 10.712/2021, que regulamentou a Lei do Gás de 2021, prevendo mecanismos como a formação de redes de conhecimento coordenadas pelo MME, a elaboração de propostas de diretrizes e manuais de políticas padrão, e a proposição pela ANP de diretrizes para a regulação do serviço local de gasodutos estaduais.
Na dinâmica do mercado de gás natural, a Mercurio Partners mira oportunidades de aquisição em campos maduros onshore para integrar verticalmente seu negócio de geração termelétrica. A empresa, que negociou dois projetos de usinas termelétricas no segundo leilão de energia de longo prazo — UTE Paulínia (23 MW) e UTE Pilar (250 MW) —, está agora focada em construir um portfólio de suprimento de gás natural. A Petrobras aprovou um mecanismo de proteção contra a volatilidade dos preços do gás natural. Segundo estimativas da estatal, com o mecanismo de piso e teto, o ajuste da parcela de gás para as distribuidoras em agosto passaria de uma alta potencial de 22% para 6%. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) indicou esta semana que, se confirmado um cenário de aumento da demanda de energia e condições climáticas desfavoráveis, poderá considerar o uso de usinas termelétricas como complemento. A Gasmig investirá mais de R$ 1 bilhão para transportar biometano até o Triângulo Mineiro, conectando os municípios de Uberaba, Uberlândia, Araxá e Indianópolis. O gerente comercial do segmento automotivo da distribuidora, Welder Souza, afirmou durante evento que o projeto prevê a injeção de 250 mil metros cúbicos de biometano por dia na rede. A JBS informou que a Âmbar Energia, empresa de energia do grupo J&F, investirá R$ 65 milhões para expandir a produção de biometano nas unidades da Friboi em Campo Grande II, Lins e Andradina, com a expansão devendo adicionar mais de 14 milhões de metros cúbicos de biometano por ano.










