De acordo com pt.wedoany.com-Kofi Bentil, vice-presidente do think tank de políticas públicas do Gana, IMANI Africa, afirmou no dia 4 de julho de 2026 que o Gana deveria adotar soluções tecnológicas dos Países Baixos para gerir zonas húmidas e lidar com inundações. Bentil fez estas declarações durante uma entrevista ao programa KeyPoints da TV3, após as graves inundações em Acra.
Bentil salientou que o Gana pode desenvolver zonas húmidas de forma responsável, desde que adote abordagens de planeamento e engenharia tecnologicamente sólidas. Citou os Países Baixos como exemplo de como o desenvolvimento e a gestão dos recursos hídricos podem coexistir. "Pesquise no Google como os holandeses domaram o mar. Vá ao YouTube e procure 'como os holandeses domaram o mar', há muitos vídeos", disse Bentil. Na sua opinião, o cerne da questão não é o desenvolvimento em si, mas a forma como é realizado. "Nos Países Baixos, eles aterraram áreas do mar e construíram cidades sobre elas. Há uma metodologia viável para isso", acrescentou Bentil. "Mesmo que queira desenvolver nessas áreas, existem usos compatíveis; se quiser ir além e fazer outros tipos de desenvolvimento, também há formas viáveis. Funciona."
O IMANI Africa é o principal think tank de políticas públicas do Gana, fundado em 2006, dedicado a promover a boa governação e o desenvolvimento económico em África através de investigação e advocacia. Kofi Bentil é um conhecido advogado, analista de políticas e professor de estratégia empresarial no Gana, lecionando na Universidade de Ashsi e na Faculdade de Negócios da Universidade do Gana.
Bentil também criticou a abordagem do governo ganês de confiar exclusivamente na dragagem do Rio Odaw para controlar as cheias. "A segunda razão é a falha ou recusa em adotar soluções tecnologicamente sólidas", disse. Bentil explicou que os rios depositam naturalmente sedimentos à medida que fluem para o mar, e que a dragagem repetida é ineficaz se as condições ambientais subjacentes não mudarem. "Hoje você draga o Odaw, na próxima estação chuvosa ele volta a assorear. Enquanto houver degradação ambiental e assoreamento, os sedimentos continuarão a ser levados para o rio", afirmou.
Bentil também salientou que apenas demolir edifícios nas margens dos cursos de água não resolve o problema das inundações. Afirmou que as atividades de desenvolvimento alteram permanentemente as características do solo, exigindo trabalhos técnicos de recuperação adicionais. "Para mim, quando as pessoas dizem 'vamos demolir casas', isso não é uma solução. Temos feito isso e nunca funcionou", disse Bentil. Explicou que, uma vez desenvolvido um terreno, apenas demolir os edifícios não o restaura ao seu estado original. "Quando construíram nessas áreas, alteraram a natureza do espaço, alteraram a natureza do solo. Se demolir os edifícios, o solo já foi alterado", disse Bentil. "Além da demolição, é necessária a recuperação do terreno, com soluções tecnologicamente sólidas."
Bentil atribuiu a causa raiz das repetidas inundações em Acra ao desenvolvimento urbano descontrolado e à inação dos vários níveis de governo. Salientou que as instituições nacionais têm o poder legal para regular o desenvolvimento, mas não o exercem consistentemente. "O desenvolvimento é tratado a nível local. Você obtém o terreno, mas o que constrói nele é uma função do Estado. Eles têm o poder legal de intervir, e quando falham, é nesse ponto que falham", disse Bentil. Na sua opinião, a responsabilidade recai, em última análise, sobre os mais altos escalões do governo.
A região da Grande Acra foi atingida por graves inundações no dia 28 de junho de 2026, resultando em 10 mortos e 7.761 famílias deslocadas. As declarações de Bentil surgem num momento em que o governo ganês e o público debatem amplamente como gerir eficazmente as inundações urbanas.










