De acordo com pt.wedoany.com-O governo brasileiro planeja leiloar concessões ferroviárias de carga, mas o progresso na estruturação dos contratos dos projetos está mais lento do que o esperado, e o país se aproxima do processo eleitoral, o que deve atrasar os leilões. O plano foi anunciado no final do ano passado, com a previsão de leiloar pelo menos oito contratos de trechos ferroviários de carga ainda este ano, com investimentos de capital estimados em cerca de R$ 147 bilhões (US$ 30 bilhões).

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer), Vicente Abate, disse à BNamericas que os leilões devem ocorrer e que há demanda dos investidores, mas pode não haver tempo suficiente para realizar oito leilões este ano. É bem provável que alguns contratos ainda sejam leiloados este ano, mas a maioria ficará para o próximo ano. Após realizar uma série de leilões nos setores de rodovias e saneamento nos últimos anos, o governo brasileiro começou a estruturar contratos de concessão no setor ferroviário de carga. No entanto, a estruturação dos projetos e a elaboração dos editais enfrentam desafios maiores, pois envolvem riscos relacionados a licenciamentos e exigem investimentos estruturais complexos, já que o fluxo de caixa só será gerado após a conclusão total das obras, um processo que leva anos.
Apesar desses desafios, a carteira de projetos tem atraído interesse privado. Empresas já entraram em contato com o governo federal para obter informações sobre cada um dos projetos planejados. Entre as empresas que manifestaram interesse estão as espanholas Acciona e Sacyr, a portuguesa Mota-Engil, a mexicana Grupo México e a China Railway Engineering Corporation (CREC). Empresas locais como Vale, CSN, MRS e VLI também demonstraram interesse. Atualmente, a maior parte da carga transportada por ferrovias no Brasil são produtos minerais, e o governo espera usar os novos contratos para impulsionar projetos que atendam simultaneamente grandes áreas de produção agrícola.
Devido à complexidade da estruturação dos contratos, o governo federal reconheceu que, na prática, só poderá leiloar cinco projetos este ano: o Anel Ferroviário do Sudeste, a Malha Oeste, o Corredor Minas-Rio, o Corredor Leste-Oeste e a concessão ferroviária da Ferrogrão. Mesmo com um novo cronograma, fatores políticos podem causar novos atrasos. O Brasil realizará eleições para presidente, governadores, deputados e senadores em outubro. Pesquisas de opinião recentes mostram uma disputa acirrada entre o atual presidente de esquerda, Luiz Inácio Lula da Silva, e o candidato de direita, senador Flávio Bolsonaro. Agentes de mercado consideram a agenda de concessões ferroviárias de carga como um modelo que ambos os candidatos deveriam fortalecer no próximo ciclo de quatro anos, mas o processo eleitoral pode adiar alguns procedimentos. Se o atual presidente for reeleito, pode haver mudanças em cargos relacionados à infraestrutura; se o candidato da oposição vencer, o primeiro ano do novo governo geralmente traz profundas mudanças ministeriais e revisões dos planos elaborados pelo governo anterior.






