De acordo com pt.wedoany.com-O relatório de atualização do mercado da América Latina de julho de 2026, divulgado pela Maersk, aponta que a cadeia de suprimentos global está sendo afetada por fatores geopolíticos, mudanças nas políticas comerciais e interrupções contínuas causadas por eventos climáticos, tornando a resiliência um elemento central para lidar com a incerteza logística.

O relatório considera que as interrupções, antes vistas como eventos isolados, agora constituem uma condição de volatilidade estrutural, exigindo que a cadeia de suprimentos seja capaz de se adaptar, absorver choques e manter a continuidade operacional diante de interrupções cada vez mais frequentes.
Entre os fatores que afetam o comércio internacional, o relatório destaca a vulnerabilidade das rotas marítimas estratégicas. Citando dados da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA), cerca de 20% do fornecimento global de petróleo é transportado pelo Estreito de Ormuz, ressaltando a importância de monitorar as principais rotas comerciais e seu impacto potencial nos mercados de energia.
A confiabilidade dos serviços de transporte marítimo ainda é prejudicada por essa situação. De acordo com dados da Sea-Intelligence, a taxa de pontualidade das escalas de navios em abril de 2026 foi de 62,4%, com um atraso médio superior a cinco dias. A Maersk afirma que essas condições refletem que a variabilidade continua sendo um fator relevante no planejamento logístico, aumentando a necessidade de maior visibilidade e capacidade de adaptação.
O relatório aponta o clima como outra fonte de incerteza na região, especialmente devido à alta dependência da América Latina das exportações agrícolas. Com base em informações da Organização Meteorológica Mundial (OMM), a probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño entre junho e agosto de 2026 é de 80%, ultrapassando 90% até o final do ano.
Esse fenômeno pode levar ao aumento das chuvas em algumas áreas da região andina, com potenciais impactos na infraestrutura e nas culturas agrícolas; a América Central e o Caribe terão condições mais quentes e secas; os resultados agrícolas no Brasil e na Argentina serão variados; além de aumentar os riscos para produtos sensíveis ao clima, como o café. O relatório considera que esses impactos simultâneos intensificam a volatilidade da produção agrícola e forçam as redes logísticas a se adaptarem a mudanças nos volumes de transporte, fluxos comerciais e interrupções na infraestrutura.
Diante desse cenário, a Maersk afirma que a resiliência deixou de ser uma ferramenta de gerenciamento de riscos para se tornar um elemento estratégico para o crescimento empresarial. Citando dados do Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum), 74% dos líderes empresariais consideram a resiliência um fator-chave para o desenvolvimento de suas organizações. Essa necessidade é particularmente relevante para a América Latina, onde lacunas de infraestrutura, exposição a riscos climáticos e dependência do comércio internacional amplificam os impactos das interrupções.
As estratégias identificadas para fortalecer a resiliência incluem: alta visibilidade de ponta a ponta por meio de dados em tempo real, uso de análise preditiva e inteligência artificial para antecipar interrupções, diversificação de fornecedores, rotas e mercados, aumento da flexibilidade operacional e adaptação de estratégias globais às condições específicas de cada país.
O relatório conclui que a cadeia de suprimentos está passando por uma transformação estrutural impulsionada por tensões geopolíticas, mudanças na dinâmica comercial e variabilidade climática, e que as empresas estão migrando de uma postura reativa para estratégias baseadas em visibilidade, diversificação e capacidade de adaptação, a fim de manter a continuidade operacional em um ambiente de volatilidade persistente.










