Até setembro de 2025, o Brasil havia adicionado 935 MW de nova capacidade fotovoltaica (FV) em escala de serviço público, refletindo a expansão contínua de seu setor de energia renovável. De janeiro a setembro, as usinas solares de grande porte recém-conectadas contribuíram com um total de 1.718 GW de capacidade, em comparação com 4.050 GW no mesmo período de 2024.
De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a geração solar centralizada deverá adicionar 3.493 GW de capacidade em 2025, após os 5.589 GW instalados em 2024. Embora as adições totais de capacidade solar e eólica devam diminuir este ano — de 4.240 GW para 2.852 GW para energia eólica — o crescimento da geração térmica deverá aumentar significativamente, de 907 MW em 2024 para 3.212 GW em 2025. As usinas hidrelétricas, mini-hidrelétricas e hidrelétricas auxiliares deverão totalizar 312 MW este ano, em comparação com 57 MW no ano anterior.

O setor solar de grande porte do Brasil e a indústria de energia renovável em geral enfrentam atualmente seu desafio mais crítico: o corte de energia, que atingiu até 20% da capacidade potencial de geração. Essa questão tem desestimulado novos investimentos em projetos de grande porte. Em resposta, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSolar) propôs diversas medidas, incluindo a compensação de perdas financeiras anteriores, a expansão da infraestrutura de transmissão, a melhoria da confiabilidade da rede e o aumento da capacidade de armazenamento de energia para estabilizar o fornecimento durante períodos de excedente de geração.
No final de setembro, dois grandes complexos fotovoltaicos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC) entraram em operação no Nordeste do país, adicionando, juntos, quase 300 MW à rede elétrica nacional.
O Complexo Fotovoltaico Lins foi inaugurado em 18 de setembro em São Gonçalo do Amarante, Ceará (CE). O projeto consiste em 59 unidades geradoras em duas usinas, com capacidade instalada total de 182 MW. A usina Lins 01 é composta por 29 unidades geradoras, produzindo 90 MW, enquanto a Lins 02 conta com 30 unidades geradoras, com capacidade combinada de 92 MW. O complexo está conectado à rede elétrica nacional por meio da subestação Pecém II, de 230 kV.
Da mesma forma, o Complexo Fotovoltaico Dunamis entrou em operação em 24 de setembro, em Santana do Matos, Rio Grande do Norte (RN). Inclui 36 unidades geradoras distribuídas em quatro usinas — Dunamis I a IV — com capacidade instalada total de 117,54 MW. O projeto exigiu um investimento de aproximadamente R$ 569 milhões e espera-se que apoie o desenvolvimento econômico e social local por meio da geração de empregos e da melhoria da infraestrutura.
A constante expansão da infraestrutura solar no Brasil destaca a transição contínua do país em direção a uma matriz energética mais diversificada e resiliente. No entanto, lidar com o congestionamento da rede e melhorar a flexibilidade do sistema será crucial para sustentar o impulso dos investimentos e maximizar o potencial dos recursos de energia renovável.









