A fabricante chinesa de painéis solares Longi Green Energy anunciou recentemente que, para lidar com a pressão de custos causada pelo aumento do preço da prata, planeja iniciar a produção em massa de células solares com metalização à base de cobre no segundo trimestre de 2026. A empresa divulgou em uma comunicação com investidores em 5 de janeiro que a construção da capacidade relacionada já foi parcialmente iniciada.
A Longi Green Energy apontou que este ajuste tecnológico visa reduzir os custos do processo de metalização e controlar os riscos de fornecimento de matérias-primas, mantendo ao mesmo tempo o nível de desempenho de sua plataforma de células solares de contato traseiro (BC). A empresa acredita que a estrutura da célula BC, cujas principais características condutoras estão localizadas na parte traseira da célula, é mais adequada para o uso de materiais de metalização alternativos, como o cobre, em comparação com o design TOPCon atualmente dominante, enfrentando menos limitações ópticas e de padronização.
O preço da prata tem subido continuamente recentemente, atingindo um recorde histórico de US$ 83,62 por onça em 28 de dezembro do ano passado. A fabricação de painéis solares é uma das aplicações industriais mais importantes da prata, e o setor é bastante sensível às suas flutuações de preço. Análises indicam que os fabricantes estão acelerando os processos de economia e substituição de materiais.
A Longi Green Energy não especificou a magnitude esperada da redução de custo unitário com a adoção da metalização de cobre. A metalização continua sendo um dos elos de custo mais elevados na fabricação de células solares. Se for possível substituir a prata pelo cobre, garantindo confiabilidade e rendimento de produção, há potencial para reduzir o custo de produção por watt. A empresa afirmou que já avaliou diversas soluções tecnológicas e está atualmente focada em integrar materiais, equipamentos e processos para apoiar a futura produção em escala.
No entanto, desafios tecnológicos permanecem. O cobre é mais propenso a degradação de desempenho devido à oxidação e difusão, o que impõe requisitos mais elevados para a camada de barreira, processo de sinterização e confiabilidade de longo prazo. A estabilidade do rendimento na produção em massa e os testes de confiabilidade por terceiros devem desempenhar um papel crucial na ampla aceitação do mercado para células solares com metalização de cobre.
De acordo com pesquisas da Universidade de Ghent, na Bélgica, e do laboratório do grupo francês Engie, a demanda anual global por prata pode atingir entre 48 mil e 52 mil toneladas até 2030, enquanto a oferta projetada é de cerca de 34 mil toneladas por ano. O estudo mostra que a demanda anual do setor fotovoltaico por prata pode aumentar para entre 10 mil e 14 mil toneladas em 2030, momento em que o setor pode representar de 29% a 41% do fornecimento global projetado de prata.









