A América do Sul possui vantagens significativas em recursos minerais críticos, como cobre e lítio, mas especialistas apontam que a região ainda não transformou plenamente esses recursos naturais em poder tecnológico. Leiva Olea afirma: "Essa liderança geológica não se traduz automaticamente em liderança econômica. Ainda estamos inseridos de forma assimétrica nas cadeias de valor." Isso indica que o desafio não está na escassez de recursos, mas em como, através de uma gestão estratégica, superar as lacunas em inovação e capital humano.
Leiva Olea enfatiza que o planejamento mineiro em países como Chile e Argentina deve focar em uma visão de longo prazo, e não em políticas reativas de curto prazo. Ele explica: "Para a Argentina, isso é particularmente importante no contexto do lítio e do cobre nas regiões montanhosas." Um desenvolvimento mineiro sólido requer alinhamento entre prospecção, regulação e sustentabilidade, caso contrário, o crescimento se torna frágil.
O conceito de soberania se expandiu do mero controle de depósitos para a soberania tecnológica e do conhecimento. Leiva Olea é direto: "A soberania mineira hoje deve ser entendida como soberania tecnológica e do conhecimento." Para alcançar esse objetivo, ele sugere fortalecer as capacidades internas em processamento avançado e mineração digital, evitando que a fuga de conhecimentos leve à perda de soberania sobre os recursos.
Como elementos centrais da eletrificação global e do transporte elétrico, a competição pelo cobre e lítio não é mais determinada apenas pela produção. Leiva Olea aponta: "A verdadeira competição girará em torno de como produzir: eficiência hídrica, baixa pegada de carbono e processos sustentáveis." Isso exige que o desenvolvimento mineiro priorize fatores ambientais e sociais, alcançando um desenvolvimento territorial integrado.
A pesquisa de Leiva Olea destaca que os ganhos da mineração devem ser convertidos em treinamento tecnológico e construção de fornecedores regionais, e não apenas em empregos temporários. Ele afirma: "Quando a mineração é integrada a uma estratégia territorial, as comunidades a veem como um projeto de longo prazo." Essa integração é a base para a legitimidade social e viabilidade econômica.
A cooperação bilateral entre Chile e Argentina tem potencial, já que muitas áreas mineiras atravessam fronteiras políticas. Leiva Olea afirma: "As cadeias de valor não devem ser consideradas país por país, mas sim vistas como um ecossistema regional." A inovação local é crucial, pois pode se adaptar a características regionais como alta altitude e escassez hídrica. Em suma, a mineração do século XXI só será sustentável quando deixar um legado de conhecimento para as futuras gerações.









