A Autoridade Nacional de Rodovias da Índia (NHAI) relatou recentemente que não recebeu nenhuma proposta para uma série de projetos rodoviários com um comprimento total de cerca de 912 km e um investimento total de 188,85 bilhões de rúpias. Esses projetos utilizam o modelo Construir-Operar-Transferir (BOT), que o governo tentou revitalizar para promover a participação do setor privado na construção de rodovias. A ausência de licitantes destaca a cautela persistente do mercado em relação ao modelo de concessão após um longo período de fraqueza.

O modelo BOT permite que desenvolvedores privados financiem, construam e operem rodovias, recuperando o investimento através da cobrança de pedágios durante um período de concessão fixo, mas requer um grande capital inicial. Devido a atrasos, estouros de custos e dificuldades financeiras em vários projetos, o modelo BOT gradualmente deu lugar aos modelos de Engenharia, Aquisição e Construção (EPC) e de Anuidade Híbrida. Participantes do mercado afirmam que o equilíbrio entre risco e retorno no modelo BOT ainda não é atraente comparado a modalidades que oferecem retornos mais estáveis. O feedback do setor aponta que a incerteza nas previsões de fluxo de tráfego e na receita de pedágio são os principais fatores que desencorajam os lances, enquanto a alta demanda por capital inicial agrava os riscos de financiamento para desenvolvedores e credores. Atrasos anteriores na aquisição de terras e em aprovações também aprofundaram a cautela dos investidores privados.
O governo havia anunciado anteriormente um grande plano de projetos rodoviários no valor de mais de 2,1 trilhões de rúpias, visando compartilhar riscos com o setor privado. No entanto, a falta de lances para estes projetos rodoviários indica que a confiança do mercado no modelo de concessão ainda não se recuperou totalmente, e que o desenho do projeto, a alocação de riscos e os termos de financiamento podem precisar de ajustes adicionais. Os desenvolvedores tendem a preferir modalidades que limitem sua exposição ao risco de tráfego ou ofereçam maior certeza de retorno. O esfriamento desta licitação rodoviária reflete os múltiplos desafios que a participação do setor privado ainda enfrenta no investimento em infraestrutura viária na Índia.









