De acordo com pt.wedoany.com-A União Europeia removeu o Brasil da lista de países que cumprem as regras sobre o uso excessivo de antimicrobianos na pecuária, resultando na proibição das exportações de carne brasileira para o bloco a partir de 3 de setembro. A decisão foi anunciada em 12 de maio, e o documento oficial foi publicado em 4 de junho.

Antimicrobianos são usados para tratar e prevenir infecções em animais, e alguns também podem ser utilizados como promotores de crescimento. Na lista de 2024, o Brasil estava autorizado a exportar carne bovina, frango e carne de cavalo, além de tripas, peixe e mel, mas agora foi excluído de todos esses produtos. Outros países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, mantiveram a elegibilidade para exportação. De acordo com o documento, o Brasil não apresentou as informações solicitadas pela Comissão Europeia para comprovar que sua carne atende aos padrões relevantes. A porta-voz de saúde da Comissão Europeia, Eva Hrncirova, afirmou que, assim que o Brasil cumprir os requisitos, poderá ser reincluído na lista.
O governo brasileiro expressou surpresa com a decisão e afirmou que buscará negociações. Outros três países foram removidos da lista, mas por não terem mais interesse em exportar: Austrália (ovos), Ucrânia (carne de coelho) e Ilhas Malvinas (produtos aquícolas cultivados). O Brasil foi o único país removido por não apresentar informações. A lista da UE atualmente inclui 21 países e regiões, incluindo: Armênia, Burkina Faso, Benim, Brunei, Belize, Guernsey, Índia, Indonésia, Irã, Quênia, Quirguistão, Sri Lanka, Maurício, Nigéria, Sérvia, Essuatíni, Tunísia, Tanzânia, Uganda, Uzbequistão e Wallis e Futuna.
Leonardo Munhoz, doutor em Direito Agroambiental e advogado do escritório VBSO, destacou que a decisão da UE não se refere a antimicrobianos específicos, mas impõe requisitos mais rigorosos de controle sobre seu uso. O cerne da questão é se o Brasil tem capacidade para comprovar a regulamentação, rastreabilidade e conformidade sanitária de sua cadeia de exportação. Ele observou que a UE não proibiu todos os antimicrobianos para uso terapêutico, mas nos últimos anos restringiu fortemente o uso não terapêutico, especialmente como promotores de crescimento. Atualmente, os antimicrobianos proibidos pela UE para promover o crescimento animal incluem virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina.
Em abril, o Ministério da Agricultura do Brasil publicou uma portaria proibindo a importação, produção, venda e uso de certos antimicrobianos como melhoradores de desempenho, incluindo avoparcina e virginiamicina. Para ser reincluído na lista da UE, o Brasil tem dois caminhos: restringir legalmente o uso de outros medicamentos ou garantir que a carne exportada não contenha essas substâncias. Munhoz afirmou que a segunda opção é mais demorada e custosa. Uma vez comprovado que a pecuária brasileira não utiliza esses medicamentos, as exportações podem ser retomadas mesmo após setembro.
Segundo pesquisadores, a UE já havia sinalizado em 2019 seus planos de implementar essas restrições. A UE representa 5,8% das exportações de carne bovina do Brasil, sendo o terceiro maior destino do produto, atrás apenas da China (49,3%) e dos Estados Unidos (9%). Para o total de carnes, a UE é o segundo maior mercado (5,7%), perdendo apenas para a China (30,8%).
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que a proibição das exportações só ocorrerá se as garantias e ajustes necessários não forem apresentados até 3 de setembro. A associação destacou que a carne bovina brasileira atende aos requisitos sanitários e regulatórios dos principais mercados internacionais, contando com controles oficiais rigorosos, sistemas de rastreabilidade e protocolos globalmente reconhecidos. O Brasil exporta para mais de 170 países e possui um dos sistemas de inspeção e defesa agropecuária mais robustos do mundo. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) afirmou que o setor e o governo fornecerão os esclarecimentos necessários à UE, e que o Brasil atende plenamente a todos os requisitos europeus. O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, considerou a medida política, pois o Brasil é o maior produtor mundial de mel orgânico, e discutir o risco de uso excessivo de antibióticos é completamente infundado.
A Associação Brasileira da Indústria de Pescados afirmou que não exporta para a UE desde 2016. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) manifestou preocupação com a medida, especialmente porque o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a UE entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio. A Frente Parlamentar da Agropecuária enfatizou que o acordo comercial deve impedir qualquer tentativa de transformar exigências regulatórias em barreiras políticas ou comerciais que prejudiquem a competitividade da produção brasileira. O anúncio da UE ocorreu após a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul, que foi criticado por agricultores e ambientalistas europeus, especialmente na França. Para Munhoz, a medida não está relacionada ao acordo; a lista é uma regulamentação sanitária, e qualquer país pode adotar tais exigências para garantir a segurança dos alimentos de consumo. O comissário de Agricultura da UE, Christophe Hansen, afirmou que os produtos importados devem atender aos mesmos padrões, e essa decisão demonstra a eficácia do sistema de controle europeu.
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