De acordo com pt.wedoany.com-A União Europeia publicou, em 5 de junho, no seu Diário Oficial, um novo regulamento sanitário para a importação de carne brasileira, exigindo que o Brasil fortaleça a gestão de conformidade no uso de antimicrobianos na produção animal. A norma foi elaborada com base na avaliação da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), que apontou deficiências do Brasil em rastreabilidade da carne e procedimentos de uso de medicamentos veterinários. O Brasil ainda pode continuar exportando para a UE, mas deverá comprovar, até setembro deste ano, que seus produtos atendem aos novos requisitos.
Desde que a EFSA intensificou a auditoria ao sistema de controle sanitário brasileiro em 2024, as exportações brasileiras para a Europa enfrentam uma fiscalização mais rigorosa. Casos de resíduos detectados em cargas de carne brasileira destinadas à UE têm se repetido, indicando um aumento das barreiras regulatórias.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) confirmou que o Brasil não perdeu a elegibilidade para exportar para a Europa, mas as empresas enfrentam um curto período de adaptação. São apenas três meses entre a publicação da norma e sua entrada em vigor. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) já iniciou a coordenação com o Ministério da Agricultura para responder às exigências da UE, enquanto o governo brasileiro realiza mobilização diplomática por meio do Ministério das Relações Exteriores, com o vice-presidente Geraldo Alckmin liderando as negociações. Nos frigoríficos, as equipes de produção já começaram a reavaliar os processos produtivos e os protocolos de rastreabilidade.

O momento deste evento é bastante sensível para a pecuária brasileira. Dados da Secretaria de Comércio Exterior do Brasil mostram que, em 2025, as exportações de carne bovina brasileira para a UE atingiram o maior volume dos últimos dez anos, com receita superior a US$ 1,8 bilhão, um aumento de 23% em relação a 2024. Em 2025, o volume exportado de carne bovina brasileira para a UE foi de 210 mil toneladas, acima das 158 mil toneladas de 2023 e das 180 mil toneladas de 2024. No entanto, em meio ao recorde de exportações, a pecuária brasileira corre o risco de perder este mercado de alto valor agregado de uma só vez.
Estima-se que o impacto potencial nas exportações anuais dos produtos relacionados ultrapasse US$ 2 bilhões. O preço da arroba do boi gordo já apresenta volatilidade, com ajustes nos contratos futuros de setembro e outubro. O impacto não se limita à carne bovina, mas também inclui frango, ovos e mel. China, Oriente Médio e Norte da África são vistos como mercados alternativos potenciais, mas não oferecem o mesmo prêmio de preço que a UE, e as exportações brasileiras de commodities enfrentam uma reavaliação de valor. A ABIEC considera o prazo de três meses muito curto e defende a extensão do cronograma por meio de negociações bilaterais.
O novo regulamento expõe diferenças estruturais entre o modelo produtivo brasileiro e o Pacto Ecológico Europeu. A pecuária brasileira precisa decidir se se adapta rapidamente às novas regras no curto prazo ou se redireciona sua estratégia de exportação para mercados com padrões mais flexíveis. Esta decisão influenciará a direção do desenvolvimento da pecuária brasileira na próxima década.
Este texto foi elaborado por Wedoany. Qualquer citação por IA deve indicar a fonte “Wedoany”. Em caso de infração ou outros problemas, informe-nos prontamente, por favor. O conteúdo será corrigido ou removido. E-mail: news@wedoany.com









