De acordo com pt.wedoany.com-A Ávita Care está acelerando a entrega dos materiais complementares finais à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para garantir que o registro de sua caneta de emagrecimento à base de semaglutida seja concluído até junho. A empresa representa o laboratório farmacêutico europeu Adalvo (Malta) no mercado brasileiro para este produto.

Sediada em Vinhedo, São Paulo, e pertencente ao Grupo Soluto, a Ávita Care atua como titular do registro na Anvisa, sendo responsável pela representação legal, importação, armazenagem, distribuição e farmacovigilância dos produtos da Adalvo. A comercialização desta caneta de emagrecimento no Brasil será transferida para a farmacêutica suíça Sandoz. Desde fevereiro deste ano, Isabella Wanderley preside a filial brasileira da Sandoz, tendo liderado a filial brasileira da Novo Nordisk entre agosto de 2021 e setembro de 2025.
O modelo de parceria entre a Ávita Care e a Sandoz segue o acordo firmado pela Novo Nordisk com a Eurofarma no final do ano passado. Em outubro, a Novo Nordisk e a Eurofarma lançaram a caneta de emagrecimento Poviztra, também à base de semaglutida. O produto visa oferecer uma opção de medicamento análogo ao GLP-1 mais barata que Ozempic e Wegovy, para amortecer o impacto da entrada de novos concorrentes no mercado após o vencimento das patentes. As patentes do Ozempic e Wegovy da Novo Nordisk expiraram no final de março.
Por meio da parceria com a Sandoz, a Ávita planeja garantir uma escala de distribuição equivalente à da EMS. A EMS havia declarado planos de produzir 1,2 milhão de unidades no primeiro ano, com distribuição inicial de 350 mil canetas de emagrecimento. Um executivo informado sobre o assunto afirmou que a empresa está preparada para iniciar a distribuição nas farmácias assim que obtiver o registro, com o objetivo de entrar no mercado brasileiro e ser competitiva.
Em 25 de maio, a Anvisa alterou o status interno do registro da Ávita Care para "análise concluída". No entanto, os técnicos do órgão regulador solicitaram esclarecimentos adicionais sobre as Boas Práticas de Fabricação (BPF) da unidade produtora da Adalvo. A Adalvo planeja produzir a semaglutida em fábricas no Canadá e na China. No ano passado, a Anvisa anunciou que priorizaria os pedidos de registro de semaglutida, aprovando apenas dois produtos por semestre sob este modelo.
A caneta de emagrecimento Ozivy, da EMS, teve seu registro aprovado em 26 de maio, tornando-se o primeiro medicamento à base de semaglutida produzido no Brasil. O produto começará a ser vendido nas farmácias a partir de 15 de junho, ao preço de R$ 452 por caixa com uma caneta. Para pacientes que optarem por um tratamento de três meses, o preço de uma caixa com duas canetas (cada uma de 1 mg) será de R$ 863,23. Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, afirmou que este preço garantirá um acesso mais amplo a esses produtos para os pacientes brasileiros.
A Ávita Care está se esforçando para evitar que a semaglutida repita o destino da liraglutida. Após a expiração da patente da liraglutida no Brasil em novembro de 2024, a EMS obteve aprovação da Anvisa e lançou, em agosto do ano passado, as canetas de emagrecimento Olire (para obesidade) e Lirux (para diabetes tipo 2), tornando-se a única empresa a produzir liraglutida no Brasil. Antes de aprovar a semaglutida da EMS, a Anvisa rejeitou o pedido da caneta de emagrecimento Embeltah, da farmacêutica indiana Dr. Reddy’s, por falta de comprovação de eficácia, segurança e qualidade.
As farmacêuticas disputam um mercado estimado em mais de R$ 15 bilhões em 2026 (incluindo todas as canetas de emagrecimento aprovadas no Brasil). No ano passado, as redes de farmácias obtiveram uma receita de R$ 10 bilhões com esses produtos. A tendência global mostra que o mercado mundial de GLP-1 atingiu US$ 63 bilhões no ano passado, com projeção de ultrapassar US$ 73 bilhões em 2026. A participação deste medicamento nas prescrições das principais redes de farmácias dos EUA subiu de menos de 1% há cinco anos para 8%.
A Ávita Care não respondeu aos pedidos de entrevista. A Sandoz afirmou que não comenta sobre parcerias potenciais ou possíveis. A Anvisa informou que atualmente há 13 pedidos de registro de semaglutida sintética e 4 pedidos de semaglutida biológica, e não pode fornecer um cronograma antecipado.
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