Telescópio Espacial Romano da NASA, de 4 bilhões de dólares, parte para a Flórida para lançamento em setembro
2026-06-10 10:31
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De acordo com pt.wedoany.com-O próximo observatório emblemático da NASA, o Telescópio Espacial Romano (Roman Space Telescope), está prestes a partir do Centro de Voo Espacial Goddard (Goddard Space Flight Center), em Maryland, com destino ao Centro Espacial Kennedy (Kennedy Space Center), na Flórida. O telescópio está programado para ser lançado já em setembro deste ano por um foguete Falcon Heavy da SpaceX.

Em comunicado divulgado em 1º de junho, a NASA informou que o recém-concluído Telescópio Espacial Romano partirá a bordo da barcaça "Pégaso" (Pegasus) da agência, com destino final ao Complexo de Lançamento 39A (Launch Complex 39A). Esta jornada marca o início da fase final antes do lançamento da missão, que promete transformar significativamente o conhecimento dos astrônomos sobre o universo e os planetas da Via Láctea.

Batizado em homenagem à primeira astrônoma-chefe da NASA, frequentemente chamada de "mãe do Hubble", o Telescópio Espacial Romano utiliza um espelho de 2,4 metros de diâmetro, o mesmo do Telescópio Espacial Hubble (Hubble Space Telescope), mas com um campo de visão cerca de 100 vezes maior. Essa combinação única permitirá que o Romano gere as primeiras imagens panorâmicas do cosmos, auxiliando os cientistas no estudo da energia escura, na exploração da evolução do universo e na busca por planetas fora do sistema solar. Um dos principais objetivos do Romano é descobrir um novo tipo de exoplaneta.

Ao contrário do Hubble, que se concentra em observações profundas de objetos celestes específicos, o Romano varrerá grandes áreas do céu, com potencial para revelar milhões de corpos celestes até então invisíveis. Os cientistas preveem que a missão identificará cerca de 100 mil novos planetas, um salto quantitativo enorme em comparação com os quase 6.300 exoplanetas descobertos até hoje. Muitos deles serão mundos pequenos em órbitas de longo período, um tipo de exoplaneta que ainda é difícil de ser capturado pelos astrônomos, localizados em regiões da Via Láctea ainda pouco exploradas.

Elisa Quintana, pesquisadora de exoplanetas do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, em Greenbelt, Maryland, afirmou no final de maio que a Via Láctea possui diversos ambientes diferentes, mas, na busca por exoplanetas, os cientistas praticamente só exploraram o ambiente próximo ao sistema solar. O Romano expandirá a busca para abranger outros habitats galácticos, ajudando a entender como a formação planetária varia em diferentes regiões da Via Láctea.

O Romano utilizará simultaneamente o método de trânsito e o de microlente gravitacional para buscar planetas. Esta última técnica permite detectar mundos que seriam difíceis ou impossíveis de encontrar por outros métodos. Os cientistas esperam que a missão descubra desde gigantes gasosos até planetas rochosos de tamanho semelhante à Terra e Marte.

Uma vez no espaço, o Romano se tornará um dos instrumentos de mapeamento astronômico mais poderosos já construídos. Ele é o sucessor mais potente da missão Kepler da NASA, que mapeou 100 mil estrelas e descobriu milhares de exoplanetas entre 2009 e 2018. O astrônomo Jorge Martínez-Palomera, do Goddard da NASA, destacou que o mapeamento do bojo galáctico da Via Láctea pelo Romano observará cerca de 100 milhões de estrelas e explorará regiões ainda não investigadas da galáxia, fornecendo um conjunto de dados fundamental e transformando completamente nossa compreensão sobre outros mundos e nosso lugar no universo.

O Romano também complementa o detector Gaia da Agência Espacial Europeia. O Gaia realizou 3 trilhões de observações de 2 bilhões de estrelas na Via Láctea usando luz visível entre 2013 e 2025. O Romano detectará luz infravermelha para penetrar a poeira interestelar, permitindo que os astrônomos observem pela primeira vez as partes mais densas da Via Láctea.

O desenvolvimento do Romano não foi isento de desafios. Antes de ser renomeado em 2020, a missão era conhecida como Telescópio de Levantamento Infravermelho de Campo Amplo (WFIRST). O projeto enfrentou um futuro incerto, com a administração Trump propondo seu cancelamento nas propostas orçamentárias de 2019 e 2020. As preocupações na época se concentravam no custo da missão e no foco da NASA em concluir o Telescópio Espacial James Webb (James Webb Space Telescope). O Congresso acabou rejeitando a proposta de cancelamento e manteve o financiamento para o desenvolvimento. O Telescópio Espacial James Webb foi lançado com sucesso em 25 de dezembro de 2021. Espera-se que o Romano se torne um dos observatórios mais produtivos da história, podendo mudar a compreensão humana sobre exoplanetas, energia escura e a estrutura do universo.

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