De acordo com pt.wedoany.com-A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) adiou a aprovação do plano de desenvolvimento do campo de Gato do Mato, na Bacia de Santos, devido a incertezas quanto à exportação de gás natural do campo. A decisão foi tomada na reunião da diretoria desta sexta-feira (26 de junho).

O projeto Gato do Mato é operado pela Shell, com 50% de participação, e tem como parceiros a Ecopetrol (30%) e a Kuwait Foreign Petroleum Exploration Company (Kufpec, 20%). O consórcio propôs produzir apenas petróleo a partir de 2029 e reinjetar todo o gás natural associado no subsolo, sem definir uma data específica para reavaliar o plano de exportação de gás.
A Superintendência de Desenvolvimento da Produção (SDP) da ANP considerou que essa revisão deveria ocorrer em 2032. O órgão recomendou a aprovação do plano de desenvolvimento, mas exigiu que o consórcio apresentasse uma versão revisada até 31 de dezembro de 2032, incluindo a exportação de gás. O setor técnico entendeu que esse prazo oferece ao operador uma fase inicial de reinjeção total, ajudando a reduzir as incertezas sobre o comportamento geológico e do reservatório do campo.
De acordo com o plano de desenvolvimento apresentado pelo consórcio, a produção pode começar em fevereiro de 2029. A Shell estima que a exportação imediata de gás no início da produção teria um impacto significativo na recuperação de petróleo, afetando cerca de 324 milhões de barris. A empresa avalia que, com o amadurecimento da exploração da bacia, os benefícios da reinjeção podem diminuir, permitindo uma reavaliação das condições de exportação de gás. No entanto, o consórcio não estabeleceu uma data exata para isso, estimando que a reanálise só poderia começar três anos após a primeira produção de petróleo ou dois anos após a conclusão do último poço.
O plano de desenvolvimento inclui 11 poços: 5 poços produtores (dos quais 4 já foram perfurados), 4 poços de reinjeção de gás e 2 poços de injeção de água.
O relator Daniel Maia leu o relatório na reunião, mas não revelou sua intenção de voto. O diretor-geral Artur Watt foi o único a votar, apoiando a recomendação do setor técnico, considerando que a proposta equilibra os interesses de todas as partes, conciliando as preocupações de política pública da ANP com o mercado de fornecimento de gás e a viabilidade técnica e econômica do projeto.
Os diretores Pietro Mendes e Symone Araújo solicitaram vista do processo, tendo até 30 dias para submeter o caso à diretoria. Mendes reconheceu o trabalho do setor técnico no avanço da exportação de gás, mas expressou dúvidas sobre a aplicabilidade da lei e do decreto em relação à capacidade do sistema de transporte. O Decreto nº 12.153, de 2024, estabelece que a ANP é responsável por determinar, por meio de procedimento administrativo com prévia oitiva dos agentes, se novos projetos que envolvam grandes volumes de gás devem considerar a possibilidade de exportação de gás, como uma das medidas para aumentar a oferta de energia. Mendes ocupava o cargo de diretor do Departamento de Petróleo, Gás e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME) quando o decreto foi promulgado. Araújo apoiou a solicitação de vista, considerando que o processo faz parte da discussão regulatória sobre o acesso à infraestrutura de transporte e processamento de gás.
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