Empresa de Eletricidade do Zimbábue afirma que reservas de carvão podem sustentar geração de energia por mais de 200 anos
2026-06-27 15:43
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De acordo com pt.wedoany.com-O diretor-geral interino da Zimbabwe Power Company (ZPC) afirmou que o país possui reservas de carvão suficientes para sustentar a geração de energia por mais de 200 anos, sendo o carvão indispensável na matriz energética, apesar do impulso global em direção às energias renováveis.

Durante o seminário sobre carvão, petróleo e gás na reunião anual da Câmara de Minas, Fannie Mavhondo, diretor-geral interino da ZPC, disse que os dados da empresa mostram que os recursos de carvão ainda são abundantes, com novas explorações em andamento. Mavhondo afirmou que a ZPC considera o carvão um recurso acessível, e os dados indicam que restam mais de 200 anos de extração, superando a estimativa anterior de mais de 150 anos. Há consenso no setor sobre as reservas restantes, e mais reservas estão sendo exploradas. O Zimbábue possui cerca de 26 bilhões de toneladas de reservas de carvão, com a região de Hwange contendo grandes depósitos de carvão coqueificável e carvão térmico. O Worldometer estimou anteriormente que, com base nos níveis atuais de consumo, o país teria cerca de 163 anos de carvão restante, excluindo reservas não descobertas.

Mavhondo não acredita que as energias renováveis possam substituir o carvão. Ele destacou que a energia solar e eólica não podem fornecer a estabilidade de carga base necessária para uma economia industrializada. Mavhondo disse que a disponibilidade de energias renováveis não permite seu uso em 100%, e elas não podem existir de forma independente. À noite, não há energia solar, e o custo do armazenamento em baterias ainda é extremamente alto, tornando essa abordagem insustentável. Ele mencionou que países que tentaram depender fortemente de energias renováveis sofreram impactos na instabilidade da rede, o que é insustentável. A posição da ZPC é que carvão e energias renováveis não são mutuamente exclusivos; é necessário desenvolver uma combinação energética, precisando tanto de carvão quanto da injeção de energias renováveis.

Mavhondo reconheceu que o setor deve melhorar a eficiência e descarbonizar por meio da introdução de novas tecnologias. As unidades 7 e 8 de Hwange já estão em operação, cada uma gerando 335 megawatts, totalizando 670 megawatts, equipadas com sistemas avançados de controle de emissões. A usina inclui unidades de dessulfurização de gases de combustão, que usam calcário para capturar emissões de dióxido de enxofre e produzem gesso como subproduto vendido a fabricantes de cimento. Além disso, foram instalados queimadores de baixo NOx para minimizar as emissões de óxidos de nitrogênio. Mavhondo afirmou que a ZPC está investindo em calcário para controlar as emissões, enquanto melhora e repara as unidades 1 a 6 para controlar as emissões. As unidades 1 a 6 de Hwange, originalmente comissionadas entre 1983 e 1989, têm capacidade total instalada de 920 megawatts, mas devido a falhas mecânicas relacionadas ao envelhecimento, recentemente geraram apenas entre 300 e 500 megawatts. O acordo de reparo de US$ 450 milhões assinado em dezembro de 2025 com a Jindal Steel and Power, no modelo de reparo, operação e transferência, prevê que as obras de reforma efetivas comecem no primeiro trimestre de 2026. Espera-se que a reforma adicione 400 megawatts à rede nacional em 48 meses.

Mavhondo apontou que a estrutura de tarifas de eletricidade é um problema fundamental. Ele afirmou que os órgãos reguladores focam apenas nas tarifas dos consumidores finais, sem gerenciar os parâmetros que compõem as tarifas. Ele pediu uma revisão completa de toda a cadeia de valor — do carvão à eletricidade e ao cliente — para determinar tarifas adequadas em cada etapa, incluindo o preço do carvão, a tarifa de geração de eletricidade, a tarifa da empresa de transmissão e distribuição (ZETDC) e as tarifas para diferentes categorias de clientes. Mavhondo descreveu a ZESA (Autoridade de Fornecimento de Eletricidade do Zimbábue) como estando em uma posição difícil, enfrentando contas não pagas de governos locais e instituições-chave, enquanto tem a obrigação de pagar aos produtores de carvão pelo fornecimento. Ele alertou que os grandes montantes devidos à ZETDC tornarão a empresa incapaz de pagar a ZPC, com dívidas não pagas em infraestrutura hídrica, governos locais, hospitais e instituições de segurança críticas.

Mavhondo alertou que, sem planejamento coordenado em nível governamental, o Zimbábue pode enfrentar ciclos de boom e busto, à medida que vários produtores de carvão competem para construir suas próprias usinas. Ele observou que um palestrante anterior previu 15 usinas a carvão na próxima década. Ele afirmou que, se a ZPC comprar apenas de dois ou três mineradores, os demais podem querer construir usinas a carvão ou outras alternativas, o que pode levar a escassez no outro extremo. No nível de planejamento, é necessária coordenação governamental sobre quantas licenças para usinas a carvão ou usinas dedicadas serão emitidas, determinando os níveis de produção, a quantidade de eletricidade gerada e para onde essa eletricidade será vendida. Ao mesmo tempo, Mavhondo disse que é possível desenvolver energias renováveis além dos projetos de carvão, esforçando-se para descarbonizar a rede em termos de fornecimento total de energia. A posição da ZPC reflete a realidade do panorama energético do Zimbábue: o carvão continua sendo a base da geração de eletricidade, com mais de 50% da carga base fornecida pelas unidades a carvão de Hwange. O desafio não é se deve usar carvão, mas como usá-lo de forma mais eficiente e limpa, garantindo a sustentabilidade de toda a cadeia de valor, do minerador ao consumidor.

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