De acordo com pt.wedoany.com-O Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis, em Niterói, integra drenagem e lazer público, tratando a água da chuva que chega à Lagoa de Piratininga por meio de um sistema de jardins filtrantes. Às margens da Lagoa de Piratininga, em Niterói, o Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis não é apenas uma área de lazer público, mas também uma estrutura ambiental projetada para tratar a água da chuva antes que ela entre no sistema da lagoa.

Por trás de ciclovias, praças, mirantes e áreas de convivência, a obra utiliza vegetação, retenção de sedimentos e processos naturais para melhorar a qualidade da água, sem o uso de produtos químicos no tratamento do fluxo que chega à lagoa. Segundo a Prefeitura de Niterói, o projeto conta com 35 mil metros quadrados de jardins filtrantes, responsáveis por tratar a água da chuva e o escoamento de três principais bacias que deságuam na Lagoa de Piratininga. Essas bacias incluem os rios Cafubá, Arrozal e Jacaré, que direcionam parte da drenagem urbana para o sistema da lagoa, carregando, se não forem devidamente retidos, materiais que podem comprometer a qualidade do ambiente aquático.
Em uma área pública de 680 mil metros quadrados, a solução deixou de ser apenas uma infraestrutura técnica para se integrar a um parque aberto à circulação, lazer, cultura e educação ambiental na Região Oceânica de Niterói. Os jardins filtrantes funcionam de forma semelhante a zonas úmidas artificiais (wetlands), onde a água passa por estruturas projetadas para reduzir a velocidade do fluxo e promover processos naturais de retenção e tratamento. De acordo com uma nota técnica divulgada pela prefeitura, nesse processo, partículas são retidas, a vegetação participa da absorção de matéria orgânica e microrganismos presentes no ambiente ajudam a decompor componentes poluentes.
Antes de entrar nos jardins filtrantes, parte da água passa por tanques de sedimentação, projetados para reter sólidos suspensos e reduzir o assoreamento da Lagoa de Piratininga. Em cidades brasileiras próximas a rios, canais e lagoas, a água da chuva frequentemente carrega sedimentos, lixo e matéria orgânica ao lavar as ruas, agravando a pressão sobre os ambientes aquáticos. A intervenção em Niterói transforma a borda urbana em uma instalação ambiental visível, expondo o público a funções de drenagem que geralmente ficam ocultas em tubulações ou são imperceptíveis.
O parque foi planejado no âmbito do Programa Região Oceânica Sustentável (PRO Sustentável), com o objetivo de proteger e recuperar a Lagoa de Piratininga e seu entorno, ao mesmo tempo que reorganiza a relação da cidade com as margens da lagoa. A área inclui a Ilha do Modesto, Ilha do Pontal e Ilha do Tibau, além de espaços de circulação, equipamentos de lazer e estruturas ambientais. Entre os elementos urbanos planejados e implementados estão 10,6 km de ciclovias conectadas ao sistema cicloviário da região oceânica, 17 áreas de lazer, mirantes e um centro ecocultural voltado para a educação ambiental.
A Prefeitura de Niterói classifica o Parque Orla Piratininga como o maior projeto de soluções baseadas na natureza do Brasil na área de sustentabilidade ambiental. A obra recebeu um investimento de R$ 100 milhões e faz parte de um conjunto de ações da prefeitura para melhorar a Lagoa de Piratininga e seu entorno urbano. O funcionamento dos jardins filtrantes depende da combinação de engenharia, vegetação e gestão da água, formando uma série de estruturas que controlam o fluxo, retêm poluentes e prolongam o tempo de permanência da água no sistema. As raízes de macrófitas aquáticas ajudam a absorver matéria orgânica, enquanto o ambiente formado nos jardins favorece processos biológicos relacionados à decomposição de partículas poluentes da drenagem.
Estruturas auxiliares também fazem parte da solução, incluindo jardins de chuva, biovalas, tanques de sedimentação e vertedouros, cada um com funções específicas de controle do fluxo de água e retenção de materiais carregados por ela. O sistema não opera como uma obra de engenharia invisível, mas transforma o percurso da água em parte da experiência urbana, demonstrando como drenagem, recuperação ambiental e uso público podem coexistir no mesmo espaço. Fora de Niterói, os jardins filtrantes de Piratininga têm sido usados como exemplo, apresentados em visitas técnicas relacionadas ao WRI Brasil, com representantes de dez cidades brasileiras interessados em soluções urbanas de baixo carbono e recuperação ambiental.
A experiência é considerada um caso de estudo por cidades que investigam alternativas aos modelos tradicionais de drenagem, especialmente em áreas onde rios, canais e lagoas recebem grandes volumes de água da chuva. Prêmios relacionados ao desenvolvimento sustentável e cidades inteligentes ampliaram a visibilidade do parque, que, segundo a prefeitura, recebeu reconhecimentos nacionais e internacionais em categorias como desenvolvimento urbano sustentável, serviços ecossistêmicos, energia e meio ambiente. Ao integrar recuperação ambiental, drenagem urbana e lazer, o Parque Orla Piratininga mostra como uma obra de engenharia visível aos cidadãos pode assumir funções que vão além da paisagem e ajudar a proteger a qualidade da água. Antes, a água da chuva chegava mais rapidamente ao sistema da lagoa, carregando a carga acumulada ao longo do caminho; agora, ela passa por estruturas projetadas para reter, desacelerar e tratar esses fluxos antes de serem descarregados na Lagoa de Piratininga.






