De acordo com pt.wedoany.com-O Tribunal de Planeamento Municipal da Cidade do Cabo (Municipal Planning Tribunal) aprovou um pedido de alteração de uso do solo, removendo um obstáculo de planeamento inicial para o projeto de data center da operadora norte-americana Equinix na capital legislativa da África do Sul.
O tribunal aprovou o pedido do proprietário do terreno, King David Country Club, permitindo o rezoneamento, subdivisão e fusão de três parcelas na zona industrial de King Air Industria, perto do Aeroporto Internacional da Cidade do Cabo. Duas das parcelas estavam originalmente classificadas como uso industrial geral e uma como uso misto. O pedido consistia em unificar as três parcelas como uso industrial geral e fundi-las numa só, exigindo também a modificação da condição de limite máximo de área construída de 300.000 metros quadrados, definida em 2019, e envolvendo uma troca de uma pequena área de terreno com o município, incluindo uma subestação elétrica.

Na sua decisão de aprovação, o tribunal afirmou que o rezoneamento, subdivisão e fusão "dificilmente terão um impacto negativo no ambiente ou nas características da área circundante", e destacou que a aprovação tem impactos socioeconómicos positivos, criando empregos, apoiando a infraestrutura digital e indústrias a jusante, promovendo a integração urbana e impulsionando o desenvolvimento ideal do solo em áreas já apoiadas por políticas e quadros existentes.
A aprovação está sujeita a várias condições. Antes da submissão do projeto arquitetónico, deverá ser apresentado um Plano de Desenvolvimento do Local (Site Development Plan), acompanhado de uma comprovação de que o data center proposto está dentro do âmbito da Autorização Ambiental (Environmental Authorisation) já aprovada. Além disso, as condições abrangem aspetos de gestão do uso do solo, gestão de recursos hídricos e serviços de eletricidade. Todas as condições devem ser cumpridas para manter a aprovação concedida.
Em junho deste ano, a Equinix disse à Reuters que ainda não tinha submetido o pedido de planeamento para o data center na Cidade do Cabo, mas que já tinha concluído a compra do terreno na cidade. Assim, o pedido de rezoneamento foi apresentado pelo proprietário do terreno, King David Country Club. A aquisição do terreno remonta ao final de março de 2026, quando Sandile Dube, diretor-geral da Equinix na África do Sul, afirmou que a empresa investiu 890 milhões de rands sul-africanos (cerca de 52 milhões de dólares) em terrenos em Joanesburgo e na Cidade do Cabo. Os planos detalhados de construção para o data center proposto na Cidade do Cabo ainda não foram divulgados.
No mês passado, a Equinix disse à Reuters que, se decidir avançar com qualquer desenvolvimento, se compromete a ser totalmente transparente e a fornecer informações detalhadas a todas as partes interessadas relevantes em tempo útil. Estes compromissos surgem na sequência da oposição da sociedade civil, que teme que o data center possa afetar a segurança energética e hídrica local. A Housing Assembly, na Cidade do Cabo, e a Foxglove, no Reino Unido, apresentaram objeções, com aconselhamento jurídico do Legal Resources Centre (Centro de Recursos Jurídicos). Consideram que o pedido carece de detalhes essenciais para avaliar o consumo de água, as necessidades de eletricidade, as emissões e a geração de energia de reserva. O tribunal afirmou que estas questões serão resolvidas no Plano de Desenvolvimento do Local, que ainda necessita de aprovação.
A Equinix planeia adicionar 160 megawatts de capacidade adicional na África do Sul, como parte de um investimento de 7,5 mil milhões de rands (438 milhões de dólares), para aproveitar a crescente procura por inteligência artificial e serviços cloud no país e no continente africano em geral. A empresa inaugurou o seu primeiro data center em Joanesburgo em outubro de 2024, com uma carga de TI inicial de 4 megawatts, que passará para 20 megawatts quando totalmente construído. O site da Equinix indica que a unidade de Joanesburgo já está 100% abastecida por energias renováveis.










