De acordo com pt.wedoany.com-Um projeto de investigação internacional conduzido em conjunto pela Universidade de Adelaide e pela Universidade Politécnica de Hong Kong realizou uma análise sistemática da viabilidade de substituir os combustíveis de aviação tradicionais por hidrogénio verde, e publicou um plano de ação para impulsionar a aviação comercial rumo a emissões líquidas zero.
A aviação é uma fonte significativa de emissões globais de gases com efeito de estufa, sendo a segunda maior no setor dos transportes, a seguir ao transporte rodoviário, representando 14% do total de emissões. Este contexto levou a equipa de investigação a integrar 138 estudos internacionais publicados entre 2015 e 2025, a fim de mapear os avanços na produção de hidrogénio verde e avaliar o seu potencial técnico e as condições comerciais para transformar o setor da aviação.
Zahra Jaffary, doutoranda na Universidade de Adelaide e principal autora do estudo, afirmou que o hidrogénio verde já se mostrou viável a nível técnico, mas ainda existem muitas incertezas quanto à sua implementação prática, viabilidade económica e impacto no setor. O estudo identificou as tendências atuais de investigação e as prioridades para preencher lacunas de conhecimento, incluindo a necessidade de realizar estudos de caso específicos para cada aeroporto, a fim de avaliar as necessidades de infraestruturas de hidrogénio, comparando modelos de cadeia de abastecimento no local, fora do local e híbridos; é também urgente compreender as futuras necessidades de combustível dos aeroportos, abrangendo limitações de espaço e possíveis formas de sistemas de abastecimento, e definir o quadro político e as medidas regulatórias necessárias para uma transição bem-sucedida para o hidrogénio a nível aeroportuário. Jaffary salientou ainda que a ampla faixa de inflamabilidade do hidrogénio, a sua baixa energia de ignição e a necessidade de manuseamento cuidadoso exigem a revisão das normas de conceção, dos sistemas de deteção de fugas e dos procedimentos operacionais para aeronaves e ambientes aeroportuários.
Jaffary considera que muitos esforços se concentram em reduzir os custos e aumentar a eficiência da produção de hidrogénio, mas para que o combustível de aviação a hidrogénio se torne realidade, é necessário compreender, implementar e avaliar mais fatores de custo, especialmente considerando os longos ciclos de desenvolvimento de infraestruturas.
O professor Shane Zhang, da Universidade de Adelaide e co-investigador do estudo, enfatizou que os operadores aeroportuários desempenharão um papel crucial na transição para o hidrogénio, e devem adquirir conhecimentos detalhados para apoiar decisões e investimentos importantes, sendo que o planeamento a longo prazo deve começar o mais rapidamente possível. O professor Zhang acredita que, se as companhias aéreas e os governos não emitirem sinais claros, os aeroportos não terão incentivos comerciais para investir em infraestruturas de hidrogénio dispendiosas; políticas direcionadas, incentivos e quadros regulatórios são essenciais para proporcionar certeza aos investimentos e acelerar a adoção de combustíveis de hidrogénio limpo. Ele também mencionou que a Austrália, com os seus abundantes recursos de energia renovável e ambição de desenvolver hidrogénio verde, tem a oportunidade de se tornar líder na futura economia de aviação a hidrogénio.
Os resultados desta investigação foram publicados na revista Transportation Research Part A sob o título "Hydrogen-powered aviation: What do we know and where do we go?" (Aviação movida a hidrogénio: O que sabemos e para onde vamos?).










