De acordo com pt.wedoany.com-A SABIC não identificou interferências no transporte via Mar Vermelho e está utilizando a flexibilidade da cadeia de suprimentos e rotas de exportação alternativas para lidar com as interrupções comerciais causadas pelo conflito entre EUA e Irã. Essa declaração foi feita pelo diretor financeiro da empresa, Salah Al-Hareky, durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre em 30 de julho.

Al-Hareky afirmou que a empresa está monitorando de perto a situação de segurança no Estreito de Bab el-Mandeb. Essa via navegável, que conecta o Mar Vermelho ao Canal de Suez, é um gargalo crucial para a navegação global. Recentemente, os rebeldes Houthis do Iêmen atacaram instalações petrolíferas sauditas e ameaçaram a navegação relacionada às exportações sauditas, interrompendo o tráfego nesse corredor. Al-Hareky disse que, caso as interrupções se intensifiquem, a SABIC planeja utilizar canais de vendas domésticos e do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), além de ativar rotas de navegação alternativas, incluindo o Canal de Suez.
A turbulência geopolítica já impactou os resultados da empresa. No segundo trimestre, pressionada por fatores como o fechamento do Estreito de Ormuz, a SABIC registrou prejuízo líquido de US$ 220 milhões, com prejuízo líquido ajustado de US$ 102 milhões. O prejuízo líquido de abril a junho de 2026 foi menor em comparação aos US$ 1,08 bilhão do mesmo período do ano anterior, impulsionado principalmente pela redução das despesas operacionais decorrente de custos não recorrentes e iniciativas de reestruturação. Al-Hareky destacou que o volume de vendas caiu devido ao fechamento do estreito, mas a empresa redirecionou o volume de carga por rotas alternativas e obteve preços de mercado mais elevados. O diretor-presidente, Faisal Al-Faqeer, descreveu o trimestre como um período de "desafios operacionais excepcionais", caracterizado pelo fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, interrupções em instalações energéticas críticas e aumento global dos preços de energia.
Para manter as exportações, a SABIC transferiu cargas de polímeros da costa leste para a costa oeste da Arábia Saudita, viabilizando embarques por meio de múltiplos portos. Em comparação trimestral, o volume de polímeros transferidos no segundo trimestre mais que dobrou. Al-Faqeer informou que, em Yanbu, a empresa utilizou o recém-lançado Serviço Expresso do Mar Vermelho (Red Sea Express Service), em parceria com a Autoridade Portuária Saudita (Saudi Ports Authority) e a Falk Maritime, para concluir as exportações de polímeros; além disso, cerca de 6.600 contêineres padrão de polímeros foram enviados pelo Porto Islâmico de Jeddah, via Terminal Portuário do Mar Vermelho (Red Sea Gateway Terminal). No trimestre, a SABIC também iniciou pela primeira vez a exportação de ureia pela costa oeste saudita, com o primeiro lote já embarcado pelo Porto Comercial de Yanbu.
Os custos logísticos aumentaram significativamente no período: as despesas logísticas de químicos básicos subiram cerca de 40%, e as de nutrientes agrícolas, cerca de 60%. Al-Hareky afirmou que esses custos incluem transporte terrestre, ajustes de combustível marítimo, prêmios de risco de guerra e seguros, mas foram absorvidos pelo aumento dos preços de venda dos produtos. O EBITDA ajustado do segmento petroquímico superou US$ 630 milhões, aproximadamente estável em relação ao trimestre anterior, sustentado pelo melhor desempenho do polietileno (PE) e pelo controle rigoroso de custos, embora o aumento dos custos de matérias-primas líquidas tenha limitado o espaço para expansão das margens.
A SABIC acredita que o excesso de capacidade da indústria e as incertezas geopolíticas continuam sendo os principais desafios futuros. Al-Hareky afirmou que a empresa seguirá focada em fortalecer a resiliência e a competitividade do portfólio petroquímico, criando valor de longo prazo enquanto garante o atendimento aos clientes.










