Segundo uma fonte envolvida nos preparativos, o Canal do Panamá iniciará consultas com empresas e planeja lançar, no primeiro trimestre do próximo ano, um processo competitivo de licitação para a construção e operação de dois novos portos na área do canal. Esses portos fazem parte de um amplo plano de expansão que a administração do canal está implementando, focado em melhorar os serviços relacionados à carga e descarga, abrangendo transbordo, armazenagem e transporte de gás natural, além de garantir um fornecimento estável de água doce para as operações.
“A demanda por instalações e terminais é alta”, afirmou o diretor do Canal do Panamá, Ricaurte Vásquez, em uma reunião realizada na quinta-feira, sem revelar muitos detalhes. A Autoridade do Canal do Panamá ainda não respondeu aos pedidos de comentário. Anteriormente, a alta administração do órgão já havia declarado que pretende investir cerca de US$ 8,5 bilhões nos próximos cinco anos para modernizar e expandir a infraestrutura do canal, a fim de atender à crescente demanda de transporte.
Entre os principais projetos do plano de expansão está a construção de uma grande represa para controlar o nível do rio Indio e criar um novo reservatório. No entanto, esse projeto enfrentou um desafio jurídico no mês passado, quando comunidades afetadas entraram com uma ação judicial; o caso está atualmente em análise na Suprema Corte do Panamá. Além disso, fontes revelaram que está em preparação a licitação para a construção de um gasoduto de GLP na área do canal, prevista para ser lançada oficialmente no próximo ano.
Recentemente, o Canal do Panamá também foi alvo de atenção por fatores externos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou este ano assumir o controle do Canal do Panamá, alegando que o governo americano está preocupado com a crescente influência da China na América Central, o que gerou ampla crítica. Paralelamente, o presidente panamenho, José Mulino, decidiu encerrar a concessão de 25 anos concedida à CK Hutchison Holdings de Hong Kong para a operação de dois grandes portos independentes fora da área do canal, cujas cláusulas contratuais sempre foram alvo de controvérsia. A CK Hutchison declarou nesta quinta-feira que vê “uma oportunidade considerável” de concluir o acordo de US$ 22,8 bilhões liderado por um consórcio formado pela BlackRock e pela empresa de navegação MSC, que envolve a venda da maior parte de seus ativos portuários globais, incluindo os dois portos no Panamá.









