O Conselho de Ministros português aprovou recentemente o plano da operadora ferroviária nacional Comboios de Portugal (CP) para adquirir novos comboios de alta velocidade. De acordo com o plano, a CP irá adquirir até 20 comboios de alta velocidade, incluindo 12 encomendas firmes e 8 opções. Cada comboio terá capacidade para 500 passageiros e uma velocidade máxima operacional de 300 km/h. Este investimento totaliza 584 milhões de euros, dos quais 45 milhões serão destinados à construção e equipamento de uma nova instalação dedicada à manutenção da frota. Esta medida visa preparar a CP para se tornar um operador principal de alta velocidade, incluindo a criação de uma subsidiária dedicada e condições para operações transfronteiriças.

Em simultâneo, o Ministério das Infraestruturas e da Habitação de Portugal relançou o concurso de concessão de Parceria Público-Privada (PPP) para o segundo troço da linha de alta velocidade Porto-Lisboa. Este troço, com 61 km, liga Oiã a Soure e abrange o projeto, construção, financiamento e manutenção. O objetivo é reduzir o tempo de viagem entre o Porto e Lisboa para 1 hora e 15 minutos até 2032. As obras estão planeadas para começar no próximo ano, incluindo a adaptação da estação Coimbra-B para comboios de alta velocidade. Além disso, serão construídas ligações, num total de 22 km, perto de Oiã, Adémia e Taveiro à linha convencional principal Porto-Lisboa, que será alargada para quatro vias entre Coimbra-B e Taveiro.
As propostas devem ser submetidas à Infraestruturas de Portugal (IP) até 25 de maio. A IP indicou que o contrato de concessão de 30 anos terá um valor máximo de 1,6 mil milhões de euros, com base nos preços de dezembro de 2023. O contrato incluirá um período de desenvolvimento e construção estimado em cinco anos e meio, e um período de disponibilidade da infraestrutura de 24,5 anos. Os pagamentos da IP ao concessionário serão distribuídos ao longo de 30 anos, estimando-se um máximo de 4,8 mil milhões de euros a preços correntes. Será também disponibilizado um montante máximo de 600 milhões de euros de fundos públicos para cobrir custos do projeto, aquisições de propriedades, construção de estaleiros, serviços de inspeção e trabalhos financiados por programas da UE. O primeiro concurso para a concessão Oiã-Soure foi lançado em julho de 2024, mas posteriormente cancelado por "não terem sido recebidas propostas válidas".
Para além do plano de aquisição de novos comboios de alta velocidade, a CP também obteve aprovação do Conselho de Ministros para exercer as opções de fornecimento de 117 unidades elétricas múltiplas (EMU) no contrato assinado no ano passado com a Alstom e o parceiro local Domingos da Silva Teixeira (DST). A opção por 36 comboios adicionais, no valor de 318 milhões de euros, elevará o total da encomenda para 153 comboios, incluindo 98 EMU suburbanos e 55 comboios para serviços regionais. De acordo com o plano de entrega acelerada, o primeiro comboio deverá ser entregue em 2029 e o último em 2031, dois anos antes do planeado originalmente.









