CNMC da Espanha propõe reformas no planeamento urbano para acelerar a obtenção de terrenos e habitação
2026-07-02 15:07
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De acordo com pt.wedoany.com-A Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência (CNMC) de Espanha propõe expandir a oferta de terrenos edificáveis através da redução dos encargos de planeamento urbano, simplificação de regulamentos e flexibilização do planeamento, de modo a apoiar a construção de novas habitações livres, habitação protegida e habitação social. Num estudo com a referência E/CNMC/001/25, o organismo indica que a facilidade de obtenção de terrenos está intimamente relacionada com a redução dos prazos de construção, o controlo de custos e o aumento da capacidade de oferta de habitação.

Comissão Nacional dos Mercados e da Concorrência de Espanha propõe reformas no planeamento urbano para acelerar a obtenção de terrenos e habitação

A CNMC analisou todo o processo de planeamento urbano, desenvolvimento de terrenos e construção, considerando que o terreno é um dos fatores-chave que influenciam o preço e a oferta de habitação. Segundo as estimativas do organismo, o custo do terreno pode representar até 45% do preço final da habitação, pelo que o aumento da eficiência administrativa terá um impacto direto nos custos de desenvolvimento e na acessibilidade à habitação. O estudo indica que o processo de desenvolvimento de terrenos em Espanha é lento e burocrático, com vários procedimentos que podem causar atrasos nos projetos, aumentar os custos e limitar a capacidade do mercado habitacional de responder à procura. A CNMC classifica Espanha como um dos membros da OCDE com a regulamentação de uso do solo mais rigorosa, devido à complexidade dos procedimentos, elevada incerteza jurídica, rigidez regulamentar e baixa eficiência administrativa.

Na fase de planeamento, o estudo alerta que a delimitação detalhada dos terrenos edificáveis e das suas utilizações pode enfraquecer a capacidade de resposta a alterações na procura de habitação ou noutras atividades económicas. Além disso, a baixa eficácia dos instrumentos de planeamento, a dificuldade em modificá-los e, em alguns casos, a possível redundância dos requisitos documentais são também considerados obstáculos. A CNMC aponta ainda problemas na fase de urbanização: a acumulação de exigências técnicas e administrativas pode prolongar os prazos e aumentar os custos dos projetos. Na fase de construção, os múltiplos controlos e exigências podem atrasar a emissão de licenças, adiando assim o início de novas construções. O estudo centra-se particularmente nas regulamentações setoriais nas áreas do ambiente, património, infraestruturas e outras, cuja influência no planeamento urbano tem vindo a aumentar. A CNMC salienta que, embora estes controlos sirvam objetivos legítimos, a falta de coordenação ou de proporcionalidade pode gerar duplicações, contradições e novos atrasos.

Na secção de recomendações, a CNMC propõe otimizar e harmonizar a regulamentação do planeamento urbano através da simplificação e consolidação de normas, promovendo simultaneamente a digitalização e a transparência da informação. Além disso, recomenda o reforço da coerência das regras de governação e a implementação de planos diretores intermunicipais para reduzir a fragmentação normativa. A CNMC defende também a flexibilização do planeamento urbano através da revisão da classificação dos solos não protegidos, da expansão das utilizações possíveis e da redução do impacto do planeamento na concorrência de outros mercados. Propõe igualmente a criação de mecanismos especiais mais flexíveis para os instrumentos de planeamento urbano, limitando os casos de caducidade total do plano, acelerando as revisões e alterações pontuais, e promovendo instrumentos de emergência para habitação protegida. A CNMC recomenda a redução da complexidade dos instrumentos de planeamento e dos seus processos de elaboração, tramitação e aprovação, incluindo a diminuição do número de instrumentos e do conteúdo dos planos gerais, bem como a simplificação do processo de aprovação. Na gestão urbana, o estudo sugere a adoção de medidas mais flexíveis a nível administrativo, processual e técnico, estabelecendo simultaneamente um regime normativo para a seleção de sistemas de gestão e reforçando os mecanismos existentes para lidar com impasses. Para facilitar a construção, a CNMC propõe acelerar a emissão de licenças, promover declarações de responsabilidade, ajustar os requisitos e encargos de construção, e evitar a duplicação ou desarticulação dos controlos. Relativamente aos pareceres setoriais, recomenda-se a clarificação do seu âmbito, a prevenção de contradições, a substituição do deferimento tácito negativo por deferimento tácito positivo, a demonstração da necessidade de cada parecer e a melhoria da integração da avaliação ambiental no planeamento urbano. O estudo apresenta ainda recomendações sobre a intervenção das administrações públicas nos terrenos, visando aumentar a previsibilidade, a transparência e o controlo dos acordos de desenvolvimento. Além disso, propõe-se a revisão dos instrumentos de intervenção pública, a dotação de recursos adequados aos organismos responsáveis pelo planeamento urbano e a solicitação de parecer consultivo à CNMC.

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