Qualcomm interrompe vendas de chips para pequenas estações base, focando em IA e 6G
2026-07-14 11:06
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De acordo com pt.wedoany.com-A Qualcomm registrou receita de US$ 44,3 bilhões e lucro operacional de US$ 12,4 bilhões no último ano fiscal. A empresa, cujo negócio principal é licenciamento de patentes e venda de chips, tenta expandir sua influência do setor de comunicações móveis para o mercado de inteligência artificial e data centers. O CEO Cristiano Amon levou quase duas horas para mencionar o 6G em sua mais recente atualização para investidores, abordando pouco o conteúdo relacionado a redes, com foco maior em IA e data centers, áreas de crescimento mais rápido.

Placa em frente ao escritório da Qualcomm

A Qualcomm enfrenta múltiplas pressões no setor de smartphones. Segundo dados da Omdia, o volume total de embarques de dispositivos no primeiro trimestre recente cresceu apenas 1% ano a ano. A demanda por IA elevou os preços dos componentes, levando os consumidores a adiar upgrades. Ao mesmo tempo, a dependência da Qualcomm em relação a clientes chineses aumentou: 46% das vendas no último ano fiscal vieram de clientes com sede na China, ante 37% dois anos atrás. A relação com seu grande cliente americano, a Apple, também se tornou tensa, já que esta passou a desenvolver chips próprios e pode substituir produtos da Qualcomm por novos modems em futuros dispositivos.

A estratégia da Qualcomm no segmento de Rede de Acesso via Rádio (RAN) está sendo ajustada. Segundo apurou o Light Reading, a Qualcomm começou a informar ao mercado que planeja interromper as vendas de suas plataformas de chips para pequenas estações base FSM100 e FSM200 para novos clientes, oferecendo apenas uma atualização de software aos clientes existentes. Paralelamente, a participação da Qualcomm no mercado de RAN deve aumentar. Seus chips e software de Unidade Distribuída (DU) sob a marca X100 já estão em parceria com a Viettel. Esta planeja implantar 5.000 sites até o final de 2026. Caleb Banke, gerente de funcionários do departamento de marketing de produtos da Qualcomm, afirmou que, em redes reais, a tecnologia da Qualcomm oferece ganhos de eficiência energética de até 24% sob alta carga de tráfego em comparação com fornecedores tradicionais de rede.

De olho na era 6G, a Qualcomm planeja oferecer uma solução própria. Sunil Patil, vice-presidente de gerenciamento de produtos RAN da Qualcomm, afirmou que o objetivo é ter uma Unidade Central de Processamento (CPU) eficiente para cargas de trabalho RAN e utilizar uma Unidade de Processamento Neural (NPU) para cargas de trabalho de IA. A tecnologia NPU da Qualcomm pode desempenhar um papel duplo semelhante ao da Unidade de Processamento Gráfico (GPU) da Nvidia na RAN — processando cargas de trabalho L1 RAN e usando a capacidade ociosa para inferência de IA. A Qualcomm já introduziu a tecnologia Hexagon nos próximos chips AI200 e AI250, Circuitos Integrados de Aplicação Específica (ASIC) projetados para inferência de IA.

No segmento de data centers, a Qualcomm tenta desafiar a Nvidia. Com a aquisição da Modular por US$ 4 bilhões, a Qualcomm visa criar uma camada de abstração que permita aos desenvolvedores escrever código executável em múltiplas plataformas de hardware, incluindo CUDA. Cristiano Amon afirmou que a infraestrutura 6G não será mais equipamento de comunicação dedicado, exigindo poder computacional. Qualquer concorrente com maior eficiência energética pode encontrar um mercado receptivo.

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