De acordo com pt.wedoany.com-O governo brasileiro elaborou um plano dividido em duas etapas para reestruturar o contrato de concessão da rodovia Litoral Sul, operada pela Arteris. A rodovia, que liga o Paraná à capital de Santa Catarina, já opera com capacidade saturada. Após o fracasso das negociações no âmbito do mecanismo SecexConsenso do Tribunal de Contas da União (TCU), a nova estratégia prevê a inclusão de intervenções no valor de cerca de R$ 5 bilhões no contrato durante a revisão quinquenal da concessão, que será avaliada este ano pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Em uma segunda frente, de maior duração, a operadora e o governo negociarão ajustes mais profundos no contrato, com investimentos de capital estimados em R$ 10 bilhões. Após a conclusão das negociações, o acordo será submetido à avaliação do TCU, mas fora do âmbito do SecexConsenso. As cláusulas gerais do plano foram definidas por meio de um protocolo de intenções assinado pelo Ministério dos Transportes, pela ANTT e pela Arteris. O acordo também estabelece um cronograma para a devolução de trechos da rodovia Litoral Sul pela Arteris, que serão transferidos, por meio de aditivos contratuais, para o contrato da rodovia Via Costeira, operada pela Motiva, envolvendo os trechos do Morro dos Cavalos e do Eixão. Somando todas as intervenções das duas operadoras, os investimentos na região podem chegar a quase R$ 20 bilhões.
Há uma enorme demanda por expansão da capacidade na ligação entre Santa Catarina e Curitiba, especialmente no trecho catarinense, onde a congestão aumentou devido ao crescimento econômico do estado nos últimos anos. O nível de serviço da concessão está em estado crítico, com 76% dos trechos classificados nos níveis E e F, que representam fluxo instável, capacidade excedida e congestionamento. Gargalos crônicos como o Morro dos Cavalos têm gerado questionamentos de parlamentares catarinenses sobre essa concessão federal há anos. Ao planejar em etapas a grande demanda por intervenções, o governo também consegue gerenciar melhor as demandas políticas e a concorrência por investimentos em regiões específicas.
Uma das intervenções a ser incluída na revisão quinquenal é a adição de uma faixa com mais de 50 quilômetros ao longo da BR-101, em trechos atualmente sem manutenção por órgão público. Após a transferência, espera-se que a concessionária recupere esses trechos, incluindo a construção de acessos. Além disso, há uma lista de outras obras com projetos executivos prontos que também serão incluídas na revisão. A revisão quinquenal é uma ferramenta comum nas concessões rodoviárias, permitindo ajustar as obrigações contratuais conforme a evolução da demanda, realizada a cada cinco anos, com as alterações submetidas a consulta pública. O protocolo de intenções com a Arteris prevê investimentos de cerca de R$ 4 bilhões nesta fase da revisão, e o equilíbrio contratual poderá ser alcançado por meio de ajustes nas tarifas de pedágio ou pela prorrogação do prazo da concessão, que atualmente está prevista para terminar em 2033. Paralelamente, as partes podem chegar a um acordo substitutivo de multas, convertendo-as em investimentos. Esse valor está sendo calculado, mas o montante total dos aditivos pode chegar a R$ 5,8 bilhões. "É um investimento muito alto, e as obras começarão este ano", afirmou o ministro dos Transportes, George Santoro, à Agência iNFRA.
Para o ajuste estrutural mais profundo, outras intervenções, no valor de cerca de R$ 10 bilhões, serão negociadas por meio de acordos, buscando adequar a rodovia aos parâmetros vigentes do Programa de Concessões de Rodovias Federais (Procofe). A lista de obras pode aproveitar o que não foi acordado anteriormente no âmbito do SecexConsenso do TCU. Conforme noticiou a Agência iNFRA na época, os investimentos de capital do novo contrato foram calculados em R$ 13,65 bilhões, incluindo a construção de mais de 200 quilômetros de faixas adicionais e a implementação de projetos como a descida da Serra do Mar (Curva da Santa). Um dos motivos do fracasso das negociações foi que os investimentos para melhoria do nível de serviço foram definidos apenas no último dia, gerando incerteza sobre o valor a ser acordado entre as partes.
A Arteris, em nota, destacou os princípios estabelecidos no acordo assinado com o governo e afirmou que o documento cria uma agenda de cooperação permanente para acelerar análises, compartilhar estudos, identificar obstáculos e desenvolver soluções. A agenda é dividida em três fases simultâneas, incluindo a análise da devolução ao governo federal dos trechos da BR-101/SC conhecidos como Morro dos Cavalos e Eixão, a avaliação de um acordo substitutivo de multas (que pode converter passivos de notificações de infrações em medidas de melhoria) e a possível inclusão de cerca de R$ 4 bilhões em investimentos para aumentar a capacidade e a segurança da rodovia. A Arteris também indicou que serão realizados estudos para uma modernização mais ampla do contrato, a serem submetidos à apreciação do TCU.
A reestruturação contratual também envolve a transferência da gestão do trecho do Morro dos Cavalos e do trecho do Eixão para a rodovia Via Costeira. A Arteris concluiu em 2020 os investimentos no contorno de Florianópolis, mas a obra atendeu principalmente às rotas de longa distância, sem melhorar significativamente o trânsito nas cidades cortadas pela rodovia. A ideia de transferir parte dos trechos para a Motiva baseia-se no fato de que seu contrato tem maior margem para alocar reajustes tarifários, já que seus pedágios são mais baratos que os da Litoral Sul. Para o gargalo do Morro dos Cavalos, a solução pode envolver a construção de um túnel, projeto concebido pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), atualmente orçado em cerca de R$ 2,5 bilhões, que necessita de atualização do projeto. A Motiva, em nota, informou que, no final do ano passado, a ANTT a contatou solicitando estudos para a execução de obras de expansão da capacidade de tráfego no Morro dos Cavalos, e destacou que a agência está pronta para oferecer a melhor solução para a situação da região.










