Índia reestrutura joint venture russo-indiana para contornar sanções e garantir contrato de 120 trens semi-alta velocidade
2025-08-25 16:04
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Recentemente, a Indian Railways realizou uma reestruturação acionária na joint venture russo-indiana Kinet Railway Solutions, a fim de evitar que as sanções ocidentais contra a Rússia comprometam a execução de um projeto estratégico. A Kinet foi criada pelo grupo russo TMH e pela empresa indiana RVNL, tendo vencido em 2023 o contrato para fornecimento de 120 trens-dormitório semi-alta velocidade Vande Bharat, além da manutenção por 35 anos. O valor total do contrato pode chegar a US$ 6,5 bilhões, sendo a maior encomenda internacional da história da TMH russa.

De acordo com a nova estrutura acionária, a participação da Metrowagonmash, subsidiária da TMH e atualmente sob sanções, foi reduzida de 70% para 35%. Já a empresa russa Locomotive Electronic Systems (LES), ainda fora da lista de sanções, elevou sua fatia de 5% para 40%. A estatal indiana RVNL manteve seus 25%. Quanto à distribuição de receitas, Metrowagonmash e LES dividirão dois terços do valor do contrato, recebendo cerca de 800 milhões de rúpias por trem, enquanto a RVNL ficará com um terço, equivalente a 400 milhões de rúpias por trem.

Segundo fontes, a decisão da Indian Railways buscou responder às preocupações de fornecedores europeus de componentes, que temiam rupturas na cadeia caso a Metrowagonmash sancionada continuasse como controladora majoritária. No início deste ano, a estatal ICF, vinculada à Indian Railways, já havia concedido à francesa Alstom um contrato de € 144 milhões para fornecimento de sistemas de tração e componentes elétricos. Autoridades ferroviárias afirmaram que a mudança acionária ajudará a assegurar o fornecimento de peças críticas e diversificar as opções de compra, otimizando custos do projeto. No entanto, analistas alertam que, caso no futuro o Ocidente estenda as sanções à LES, o projeto ainda poderá enfrentar riscos de incerteza.

Além disso, o presidente da RVNL revelou em março que, devido ao atraso no início do projeto dos trens semi-alta velocidade Vande Bharat, a joint venture já acumulava prejuízos de cerca de 760 milhões de rúpias (aprox. US$ 8,72 milhões). O desenho e a produção do protótipo também sofreram atrasos, consequência de disputas sobre ajustes contratuais — o lado indiano alterou a encomenda de 120 trens de 16 vagões para 80 trens de 24 vagões, mas mantendo o custo unitário em 1,2 bilhão de rúpias, o que gerou divergências sobre parâmetros técnicos e execução, levando a perdas financeiras e de tempo. Apenas em 2025 o contrato voltou ao formato original de 120 trens de 16 vagões, permitindo que o cronograma do projeto retornasse aos trilhos.

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