Metrô de Brasília lança licitação de US$ 195 milhões para compra de trens

2026-07-08 16:11
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De acordo com pt.wedoany.com-A operadora do metrô de Brasília, METRÔ-DF, lançou uma licitação no valor total de aproximadamente R$ 1 bilhão (cerca de US$ 195 milhões) para a aquisição de 15 composições de trens elétricos. Espera-se que este pedido reacenda a acirrada disputa entre fabricantes chineses e concorrentes estrangeiros já estabelecidos há muito tempo no Brasil.

Metrô de Brasília lança licitação de US$ 195 milhões para compra de trens, intensificando disputa com fabricantes chineses

A operadora especificou no Diário Oficial que esta licitação será realizada por meio de concorrência pública presencial, adotando o menor preço como critério de julgamento, exigindo contratação integral que abranja todo o conjunto de serviços de engenharia, incluindo projeto, fabricação, integração, testes, comissionamento e entrega. Cada uma das 15 composições adquiridas será composta por quatro vagões, na configuração A+B+B+A, e será integrada ao sistema do Metrô do Distrito Federal. As empresas interessadas em participar poderão apresentar propostas até as 10h do dia 15 de setembro.

Esta aquisição de trens faz parte do plano de expansão da rede metroviária. Atualmente, o Metrô do Distrito Federal está realizando obras de ampliação da Linha 1, ao mesmo tempo que prepara a licitação para a extensão até Ceilândia, que adicionará 6 km de linha e estações. Além disso, o governo do Distrito Federal já anunciou o início dos estudos de viabilidade para a futura Linha 2, com aproximadamente 60 km de extensão e investimento total estimado em R$ 20,4 bilhões.

A licitação do projeto em Brasília é vista como o mais recente caso de escalada da concorrência entre empresas chinesas e fabricantes locais já estabelecidos. Anteriormente, em diversos projetos de metrô e trens suburbanos em várias regiões do Brasil, empresas como a CRRC (China Railway Rolling Stock Corporation) venceram com frequência, pressionando fabricantes como a francesa Alstom, a espanhola CAF (Construcciones y Auxiliar de Ferrocarriles) e a brasileira Marcopolo.

No início deste ano, a CRRC Changchun garantiu o pedido de 10 trens para o Metrô de Salvador por R$ 490,4 milhões, com um preço significativamente inferior aos R$ 614,4 milhões oferecidos pela Alstom. Em junho, a comissão de licitação chegou a desclassificar a CRRC por não ter concluído o registro no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), dando à Alstom uma nova oportunidade. No entanto, após recurso da CRRC, o Metrô de Salvador confirmou novamente a vitória da CRRC Changchun no Diário Oficial.

Para enfrentar a concorrência das empresas chinesas, a Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) defende que a licitação de Brasília seja realizada por meio de concorrência presencial, em vez de leilão eletrônico. O presidente da associação, Vicente Abate, afirmou que contratos deste porte envolvem equipamentos de alta precisão e valores elevados, exigindo total transparência no processo, e que o leilão eletrônico dificulta a verificação da verdadeira origem das propostas apresentadas.

Nos últimos anos, a rápida expansão das empresas chinesas em diversos setores no Brasil tem gerado insatisfação entre os fabricantes locais, que criticam principalmente a suposta vantagem dessas empresas, apoiadas pelo governo chinês, em termos de financiamento, impostos e custos trabalhistas. O setor siderúrgico é um dos mais afetados, com a queda da produção local devido ao alto volume de importações. No setor automotivo, veículos elétricos fabricados na China já entraram em larga escala no mercado brasileiro. Recentemente, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) solicitou ao governo federal que não renovasse os benefícios de importação para veículos elétricos pré-montados que favorecem fabricantes chineses como a BYD, mas o governo federal decidiu pela renovação.

As empresas locais mantêm-se vigilantes quanto à penetração de mercado dos participantes chineses, acreditando que estas empresas frequentemente deixam apenas a subcontratação para concorrentes chineses. Apesar das pressões internas e de outros países, o governo brasileiro considera seu espaço diplomático limitado e busca evitar tensões nas relações com a China. Atualmente, a China é o maior parceiro comercial do Brasil, e as exportações brasileiras para a China aliviam efetivamente o impacto do contínuo aumento de tarifas imposto pelo governo Trump no equilíbrio comercial. O analista André Pereira César, da consultoria política Hold Consultoria, destacou que, embora a China tenha gerado insatisfação entre as empresas locais em várias licitações de compras governamentais no Brasil, o espaço de manobra do governo brasileiro é, na prática, muito limitado. Do ponto de vista comercial, o Brasil precisa manter relações amigáveis com a China para lidar com as ameaças tarifárias dos Estados Unidos.

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