De acordo com pt.wedoany.com-O governo argentino divulgou uma nova versão das diretrizes para o setor nuclear, estabelecendo quatro prioridades: expandir exportações de alto valor agregado, fortalecer a segurança energética, manter e desenvolver capacidades técnicas nacionais, e consolidar a liderança do país em regiões com maior influência geopolítica. O documento, intitulado "Diretrizes para a Política Nuclear Argentina 2026", foi lançado por ocasião do 76º aniversário da Comisión Nacional de Energía Atómica (CNEA).
O documento estabelece uma divisão mais clara entre a liderança política e a operação técnica no setor nuclear, e abre espaço, pela primeira vez, para a participação de capital privado em projetos nucleares. A nova estratégia adota um modelo que visa combinar investimentos empresariais com as capacidades de pesquisa, desenvolvimento e formação de profissionais da CNEA. O secretário de Assuntos Nucleares da Argentina, Federico Ramos Napoli, afirmou que a CNEA deve se basear em quatro pilares: pesquisa, desenvolvimento e inovação; formação de recursos humanos de alta qualidade; atuação como observatório tecnológico; e coordenação com organizações profissionais do setor nuclear global. Ele disse que o objetivo é transformar o setor nuclear em mais um importante segmento da economia argentina, permitindo que o país se integre às cadeias de valor globais. "A posição dominante do país no mercado internacional não significa perda de soberania; pelo contrário, consolida o trabalho de três quartos de século", afirmou.
O documento aponta que, nas últimas décadas, a Argentina construiu uma base de ciência e tecnologia nuclear reconhecida internacionalmente, mas não conseguiu transformar esse conhecimento em uma indústria de escala equivalente. O desafio atual é reduzir a lacuna entre as capacidades técnicas existentes e os resultados econômicos alcançados. A nova estratégia também propõe uma mudança na lógica de investimento, defendendo que as decisões futuras devem começar pela identificação de oportunidades de mercado, seguidas pela determinação dos investimentos necessários, em vez de partir de premissas técnicas e depois buscar viabilidade comercial, como ocorreu em muitos projetos no passado.
O presidente da CNEA, Martin Porro, afirmou que a falta de coordenação estratégica limitou o potencial do setor por décadas. A Argentina já possui infraestrutura, profissionais qualificados e projetos com competitividade internacional, mas precisa organizar esse potencial e transformá-lo em uma indústria de maior escala. "Buscamos um ciclo virtuoso, onde a CNEA contribui com pesquisa, desenvolvimento e profissionais qualificados, enquanto as empresas investem e assumem riscos sob rigorosa regulação governamental e disciplina fiscal", escreveu Porro na rede social X. Atualmente, a Argentina possui três reatores nucleares em operação, que geram cerca de 7% da eletricidade total do país. O primeiro reator comercial entrou em operação em 1974. O país desenvolveu o reator modular pequeno CAREM25, mas o projeto foi suspenso pelo atual governo. A mineração de urânio começou na década de 1950 e continuou até 1997, quando a última mina foi fechada por razões econômicas.
Paralelamente, o governo argentino voltou a defender a retomada da mineração de urânio no país. Federico Ramos Napoli, em outro artigo, listou isso como uma prioridade do atual governo. A Argentina interrompeu a produção de urânio em 1997, quando o Complexo Mineiro Industrial San Rafael, na região de Sierra Pintada, província de Mendoza, foi fechado. Desde então, todo o combustível utilizado nas usinas nucleares do país é importado. Napoli destacou que, desde a década de 1990, o cenário internacional mudou significativamente, impulsionado pela expansão nuclear em vários países. Ele acredita que a Argentina tem condições de retomar a autossuficiência na produção de urânio e até se tornar um país exportador. O secretário também afirmou que, desde o início do ano, os trabalhos de remediação ambiental em Sierra Pintada estão em andamento. O local possui as maiores reservas conhecidas de urânio do país e, segundo o governo, apenas cerca de 20% dos recursos foram extraídos durante todo o período de operação.
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